Eu odeio segundo encontro. Ou melhor, odeio e adoro. O que sinto agora é que eu bem que podia não ter ligado. Por que eu liguei? Por que eu marquei? Se eu não tivesse ligado, tudo ia ser normal. Ela ia achar que eu não gostei, que sou apenas um cara como todos os outros, que depois que transa não liga mais. E a vida ia continuar.
Será que ela vai achar que sou daqueles grudentos? Daqueles que sempre ligam no dia seguinte? Mas eu liguei. Gostei de ficar com ela. E ainda falei assim: “Quero te encontrar de novo porque sábado foi massa”. Será que ela gostou da palavra “massa”? Preciso perder esse sotaque baiano.
Estou com dor de barriga. Seja homem, seu moleque! Não consigo trabalhar. Já tomei 30 copos d’água. Passei o dia inteiro querendo ligar. Mas, agora que eu liguei e ela aceitou, eu fico nesse estado ridículo de pânico? Sou louco, eu sei. Era para eu estar feliz. Mas estou nervoso como a porra.
Vou tomar um café na casa dela. Eu odeio café. Levo um vinho? Levo flores? Levo uma cesta de queijos e vinhos? Calma. Vou colocar aquela cueca preta da Clavin Klein. Vou botar aquela camiseta da Cavalera que eu comprei. Eu não vou botar camisa de botão. Tenho que mostrar personalidade. Mulher gosta de homem com personalidade.
Será que deixei na cara que estou muito a fim? Porra, eu falei que achei “massa”. Pegou mal, hein? Podia ter falado ótimo, legal, bacana (bacana, não. É muito carioca). Será que as mulheres percebem as palavras que a gente usa? Não posso mostrar que tô muito a fim. Senão ela joga fora. Ela tem que achar que tô querendo apenas mais uns beijos.
Passaram cinco minutos. Acho que agora fiquei animado. Me lembrei da bunda dela. Que bunda. Aquela marquinha de biquíni. Ela não deve ser dada, apesar de termos transado na primeira noite. Nunca é tão bom no primeiro encontro, ela tava um pouco travada. Se não rolar sexo, vou falar “Também quero só ficar dando beijo na boca.“(como a gente mente nessas horas…).
Tomara que ela esteja de saia. Adoro mulher de saia longa. Daquelas que a gente fica imaginando o que está por baixo. Não consigo parar de pensar naquela bunda. Que bunda. Será que ela vai querer transar? Acho que sim. Ela não me chamaria para casa dela se não quisesse.
Não importa. Preciso ficar calmo. Como será que eu cumprimento? Com selinho? Melhor não. Hoje eu testo para ver se ela é quente. Será que durmo na casa dela? Se ela mandar eu ir embora é porque ela só quer sexo.
Será que vou parecer cafona se levar flores? Que se dane. Levo uma e digo que roubei. Isso é pra lá de cafona. Elas adoram esse tipo de cafonice. Não, vou levar um Veuve Clicquot.
Pode ser que a gente só saia essas vezes e pronto. Mas também pode ser que a gente se apegue e tenha 500 encontros. Pode ser a mulher da minha vida, a que terei dois filhos, uma casa na praia e comemorarei todo Dia dos Namorados.
Eu tenho medo. E preciso ir embora do trabalho (não fiz nada). Que bom sentir o coração na ativa novamente.
Matheus Tapioca

*Versão masculina de crônica homônima de Nina Lemos
Toda segunda uma nova crônica. Acompanhe.
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