FESTA DA FIRMA

Dezembro 28, 2009 por Matheus Tapioca

Festa da firma é sempre festa da firma. Pessoas que você passa mais de quarenta horas na semana e, na realidade, mal conhece, na mesma balada, é no mínimo estranho. Mas é divertido. Eu gosto. Principalmente pelas surpresas que só festa da empresa revela.

As mulheres lindíssimas, animadíssimas, produzidíssimas dançando, puro êxtase. Confesso que essa é a melhor parte. Porque não há nada mais bonito do que ver uma mulher dançando.

Conhecer os chefes bebinhos e na bebida, meu amigo, todos são iguais. Ainda mais na fase em que a pessoa ama todo mundo, rasga seda, daria até um aumento pra você naquele momento. Mas só naquele momento.

Amantes sempre aparecem em festa da firma. Perdoe-me pela indiscrição, mas sempre acontece. Há festas que nem é permitida a entrada dos cônjuges. Mas abafa o caso.

Casais que se formam, mas sem dar muita bandeira, pois não sabem como será a reação do reencontro no escritório no outro dia e, ainda por cima, sóbrios.

Casais que abalam as estruturas do evento. Fazem bem em cortar a bebida quando começa a esquentar. Pois todo mundo sabe que onde se ganha o pão, não se come a carne.

Amizades também se formam. E de quem você menos espera, escuta a frase: “Você escreve o que as mulheres gostam de ouvir”. Não é o máximo? Claro que li como um elogio.

Amigos se aproximam, namoros se rompem, dançarinos se revelam, muitos se libertam, alguns dão PT, todos observam, nem todos dançam, selinhos escondidos, piscadas safadas, pessoas não aparecem no outro dia, amnésia alcoólica. Festa da firma é sempre festa da firma. E a minha foi ótima!

Boas festas!

Matheus Tapioca

carinha_farinha

Toda segunda uma nova crônica. Acompanhe.

Matheus Tapioca

O VELHO E A RAVE

Dezembro 18, 2009 por Matheus Tapioca

O velho decidiu ir a uma Rave de três dias na Serra do Cipó (MG), chamada Earth Dance. O velho fez sua mochila com cachecol, gorro, luva, ceroula, lanterna, Band Aid, Aspirina, Tylenol, Fenergan, Voltarem, barraca para duas pessoas, sleeping bag, pára-quedas e a felicidade na cara porque era a sua primeira Rave.

O velho chegou à Rave às seis da manhã. Havia um camping gigante com mil e quinhentas barracas. Mais acima estava a mega pista de dança com milhares de pessoas dançando, gritando, pulando, dormindo, namorando, cheirando, fumando, engolindo, com piercings em todos os buracos da cara.

À esquerda estava o ti lout com dezenas de pufs, onde centenas de pessoas dormiam, umas sobre as outras e um DJ tocando (pra quem?).  Além disso, havia uma cachoeira maravilhosa de 100m de altura. Tudo isso no mesmo lugar, no meio do mato, dentro de Minas Gerais.

O velho se achou ainda mais velho perto daqueles adolescentes de no máximo dezoito anos. O velho se tocou que não tinha mais idade para aquilo. O velho se isolou e descobriu que aquilo era o parque de diversões dos adolescentes de hoje. Mas o velho pensou: “Quer dizer que o Sr. está num Parque de Diversões? Muito bem. Então, divirta-se!”.

O velho dançou três dias e duas noites sem parar. O velho deu uma de pai para cima das crianças que não tomavam água. O velho teve uma alergia que ficou todo empolado e precisou tomar duas pílulas de Fenergan.

O velho viu gente comendo fogo, mulher virando pedra e pedra virando mulher. O velho ouviu pessoas falando no seu ouvido. O velho viu as plantas dançando. O velho viu uma velha de peito de fora. O velho viu a vulva da vovó.

Na volta para casa, com a mesma roupa que foi, o velho não conseguia andar. Foi parar no Pronto Socorro. Mostrou o pé esquerdo ao médico, que gritou: “Marcos. Corre aqui, pega a cadeira de rodas e leva este rapaz agora para fazer um Raio-X.”.

Resultado: gôta. Excesso de ácido úrico no sangue. Depois de passar três dias dançando e três horas no hospital, tomando medicação na veia, tirando sangue, andando de cadeira de rodas para cima e para baixo, o velho tem o seguinte diálogo com o médico de plantão:

- É surpreendente, mas você tem gôta.

- Mas o que há de surpreendente nisso, doutor?

- Isso é doença de velho.

Matheus Tapioca

carinha_farinha

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Matheus Tapioca

DO YOU SPEAK ENGLISH?

Dezembro 14, 2009 por Matheus Tapioca

Você prende a respiração quando passa por um mendigo? Não dá a mão para cumprimentá-lo? (Por que eles sempre estendem a mão para falar com a gente?) Muda de calçada quando tem um dormindo no chão? Dá gorjeta sem olhar no olho? Não dá esmola?

Agora me responda: o que faria se um mendigo abordasse você perguntando:

- Do you speak english?

Ele era fedido, sujo, usava roupas rasgadas, carregava uma mochila estropiada, enfim, um autêntico “mindingo” brasileiro, se não fossem seus cabelos loiros, olhos azuis e sua pele estrangeiramente branca. Mas a diferença surgiu com a primeira pergunta dele.

Não acreditei. Eu, com minha aparência nórdica, fui a esperança daquele sujeito. Respondi:

- So so.

Foi o suficiente para ele desandar a falar. Disse que estava perdido e sem dinheiro, que foi assaltado, espancado e precisava voltar para Curitiba, onde trabalhava como professor de inglês e não sabia nada de português.

Imaginei ele pedindo dinheiro: “I could be stealing, but I’m asking… Please, give me money! I’m a poor man! I need to buy milk for my children! My wife is sick, my son is almost dead! Please! Help me!”. Não tem jeito. Nossa economia só é globalizada na pobreza. Dei dez reais pra ele.

Passei a noite inteira pensando no coitado do gringo. Deveria ter dado mais dinheiro. Imaginei se fosse comigo, que mal falo português. Descobri no dia seguinte que o mendigo gringo era famoso em São Paulo por dar esse golpe. Milhares de pessoas caíram na mesma lábia.

Para mim, que trabalho usando as últimas ações de marketing do mercado, tendo lido os melhores livros na faculdade, fiquei pasmo com a perfeição da sua técnica de vendas. Definitivamente, ele mereceu meus dez reais.

Matheus Tapioca

carinha_farinha

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Matheus Tapioca

SOLANGE

Dezembro 7, 2009 por Matheus Tapioca

Solange era alta, morena, seios fartos e quadril largo. Moça direita, Solange batia ponto na Igreja Nossa Senhora da Conceição, numa pequena cidade de Minas Gerais, para assistir às missas do Padre Batista, que era perdidamente apaixonado por ela.

A mais bela fiel da sua igreja, Solange não sabia, mas todas as missas eram dedicadas a ela. No confessionário, Batista sentia o perfume de Solange, ouvia os pecados da amada de olhos fechados e perdoava todos. Dava duas “Ave Maria” e um “Pai Nosso”, para não gerar desconfiança.

Batista sempre a convidava para ler trechos da Bíblia no altar. Fazia questão da participação dela na quermesse e no coral. Mas quando colocava a hóstia na boca entreaberta de Solange, o padre entrava em êxtase.

Até que, um belo dia, o Padre Batista encontrou o nome de Solange na lista de casamento da sua igreja. Aquilo o deixou pálido como uma folha de papel. Sem chão, sentou para não cair.

Depois que leu o nome dela e o de Josino Eduardo, o padre Batista fez o que pode para destruir o noivado. Na confissão, perguntava se o noivo a tirava do bom caminho, se era direito, se tentava passar a mão em seu corpo.

Mas ouvia com um certo prazer os pecados que ela praticava com Josino, escondida dos pais, no portão de casa. Aquilo alimentava suas fantasias e a sua dor. Tormento que o consumia noites a fio.

Finalmente, o padre Batista casou Solange e Josino Eduardo. E, naquela noite, às três horas da manhã, o sino da igreja começou a soar, misteriosamente, acordando toda a cidade.

Todos os moradores saíram de suas casas e foram de pijamas para a porta da igreja saber o que estava acontecendo. Sem paciência de esperar, Adamastor bateu na porta da igreja, chamou pelo padre, bateu com mais força e a porta se abriu lentamente.

Procurando pelo padre, Adamastor entrou na igreja e foi até a torre do sino, que não parava de tocar, para falar com Batista. Chegando lá, Adamastor não viu ninguém, gritou o nome do padre e quando olhou para cima, viu o Padre Batista enforcado na corda do sino.

Matheus Tapioca

carinha_farinha

Ilustração: Michel Neuhaus
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Matheus Tapioca

CHEIO DE DEDOS

Novembro 29, 2009 por Matheus Tapioca

Onofre balbuciava entre a vida e a morte deitado sobre a cama. A família, de nove filhos e esposa, estava aos prantos por toda casa, esperando a ambulância chegar para levá-lo ao hospital.

Clóvis, o paramédico, chegou tarde demais. Onofre morreu assim que entrou no quarto. Clóvis tinha que dar a notícia.

Clóvis era um residente inexperiente, saindo da faculdade. Ninguém havia morrido aos seus cuidados e, por isso, nunca deu a notícia da morte de nenhum paciente para a família.

Com medo de ser atacado pelos noves filhos de Onofre, Clóvis não queria dar a notícia. A família, descendente de italianos, já impaciente, não entendia porque a maca ainda não tinha saído do quarto.

Clóvis não podia fingir e levar o corpo ao hospital, pois é contra a lei ambulância levar paciente morto. Clóvis não sabia o que fazer.

Dar a notícia e correr o risco de ser linchado, acusado de imperícia, ou praticar uma contravenção e levar o corpo na ambulância para dar a notícia no hospital?

Clóvis saiu do quarto, fechou a porta e foi até a ambulância consultar seu supervisor que descartou a hipótese de levar o corpo. “Isso é trabalho do IML”, foi o que disse. Piorou a situação. Imagine chegar o caminhão do IML?

O supervisor foi até a sala com Clóvis, quando viu a sala cheia de filhos, genros e noras aos soluços, titubeou, tentou voltar atrás, mas disse:
- Tá vendo aquele ali? Parece o mais calmo. Vai lá e dá a notícia. Ele será capaz de acalmar a família.

Clóvis foi até Agenor, filho de Onofre, puxou ele de canto e disse:
- Sinto muito, mas seu pai faleceu.

Agenor arregalou os olhos, segurou firme nos braços de Clóvis e teve um ataque cardíaco ali mesmo, na sala, em frente à família.

Além de ter que chamar o IML, foi preciso quebrar os dedos de Agenor que prendiam os braços de Clóvis.

Matheus Tapioca

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Matheus Tapioca

TÁXI!

Novembro 22, 2009 por Matheus Tapioca

Entrei, coloquei o cinto e dei o destino. O taxista saiu correndo feito um louco, pista vazia, molhada e a chuva castigando. Eu me segurei no ‘puta que o pariu’ e tinha dobrado as pernas para o caso de uma colisão não ficar preso nas ferragens.

Aí eu fui inventar de falar pra ele:

- Meu amigo, eu não estou com pressa. O senhor poderia ir mais devagar?

Ele respondeu:
- Tá com medo, é?

Neste momento, ele acelerou ainda mais o carro e começou a andar em zig-zag e soltou aquela risada diabólica.

- TÁXI!!

Entrei, coloquei o cinto e dei o destino. Mas como um autêntico taxista, ele começou a falar:

- Você faz o que?
- Eu sou publicitário.
- Huuummmm… Tá cheio da grana, hein? Quanto você ganha?
- Ganho razoável.
- Quanto é isso?
- O suficiente.
- Se você não disser, eu paro o carro agora!
- Meu amigo, eu não ganho o que mereço e não vou dizer.

O cara freou bruscamente e me fez sair do carro. Ele abriu minha porta e disse:

- Saia do carro! Saia!

Eu, sem acreditar, sai do carro e gritei:

- TÁXI!!

Entrei, coloquei o cinto e dei o destino. Acho que o motorista pensou que eu era ladrão e falou:
- Já fui assaltado dezenove vezes e agora eu só ando armado, olhe minha arma!

Ele me tira um ‘três-oitão’, cano longo que só de olhar eu tremi.

- Já derrubei dois e deixei um ‘alejado’! Eu uso ele desde o dia que levei um tiro na nuca, a bala atravessou e quebrou todos os meus dentes da frente. Tá vendo aqui?

Ele tirou a dentadura e mostrou:
- Pode pegar! Acabei de escovar!

Fiquei com mais nojo ainda e ele finalizou:
- O médico me falou que foi um milagre, que se a bala fosse mais um pentelho pro lado eu tava morto ou ‘alejado’.

- TÁXI!!

Entrei, coloquei o cinto e dei o destino. Estava sem dinheiro e falei:
- Meu amigo, quando o taxímetro marcar dez reais, pode parar, por favor.

Eu não tinha mais nada no bolso. Era meia-noite e andaria o resto do percurso. Dez reais no taxímetro e o taxista disse que me levaria até em casa. Quando chegamos, falei que pegaria o número dele e pagava depois. Ele negou e falou:

- Se as pedras se encontram, quem dirá os homens…

Matheus Tapioca

carinha_farinha

Ilustração: Michel Neuhaus
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Matheus Tapioca

VOCÊ CONHECE, VOCÊ CONFIA.

Novembro 15, 2009 por Matheus Tapioca

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Carro zero é uma beleza. É um verdadeiro troféu para anos de trabalho duro. Dá pena de dirigir, de tirar o plástico, você lava toda semana, o tanque está sempre cheio e a revisão em dia. Carro zero vem até com cheiro de carro zero.

Mas para pagar mais de trinta mil reais, você precisa escolher bem a marca. Uma montadora que você conhece, você confia: compramos um Fox da Volkswagen.

Era vermelho para espantar mau-olhado, tinha três nós de três fitinhas do Senhor do Bonfim, guia de Iemanjá, placa com dois números 7, tudo para proteger o FireFox. Por que a gente dá nome pra carro?

Quando completou um ano, o Firefox já tinha sido guinchado quatro vezes. Não pegava quando fazia frio (imagine se eu morasse no Alaska), o protetor de Carter tinha um parafuso a menos e o cheiro do carro zero mudou para cheiro de cocô.

Na primeira vez que levamos Fulana, nosso demônio em forma de cão, para a veterinária, ela fez cocô no banco traseiro, pisou e espalhou a merda por todo o carro. Quem disse que o lava-rápido queria aceitar? Apenas mediante pagamento de 120 reais. Lavagem que deixou o banco todo manchado.

Para comemorar um ano de vida, o Firefox fez jus ao nome e pegou fogo dentro da garagem do prédio. O problema é que você não pode deixar ele queimar e esperar o seguro pagar. Você tem que apagar o fogo pra não destruir o edifício junto.

Mas como casei com uma mulher preparada, que tem curso de brigada de incêndio, ela gritou o nome do porteiro que apagou a labareda que já queimava o cano do esgoto do condomínio.

O cheiro do carro zero mudou para queimado. Passou um mês na concessionária para, enfim, devolverem com cheiro de queimado e ainda se despedirem dizendo que a concessionária faliu e que deveríamos repassar o caso para outra.

Ah… Mas isso não foi suficiente. A marca que você conhece, você confia inventou de partir o cabo do freio de mão com o carro estacionado numa ladeira. O carro desceu, bateu em outros dois, quase atropelou um transeunte e rachou no meio de um poste.

Só para finalizar: o caso do incêndio no FireFox gerou um recall de 40 mil carros.

Volkswagen. Você conhece, você confia.

Matheus Tapioca

carinha_farinha

Ilustração: Michel Neuhaus
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Matheus Tapioca

MAMÃE GANSA

Novembro 9, 2009 por Matheus Tapioca

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Hoje eu vi um menino de rua folheando e admirando os desenhos de um livro infantil chamado “A Mamãe Gansa”, na entrada de um sebo. Fiquei ao lado dele e peguei outro livro para observar o menino discretamente. Descobri que sabia ler.

Ele usava calça jeans, tênis, uma camisa de moletom verde, meio suja, descuidada, e levava um isopor nas costas. O que fez aquela criança pegar aquele livro? A vida dele devia ser tão vazia de fantasia.

Tinha seus oito anos mal alimentados, ainda trabalhando, às nove horas da noite, parado em frente à livraria. A história daquela criança passou pelos meus olhos como num livro.

De repente, o menino fecha o livro e sai andando. Entrei na livraria, peguei “A Mamãe Gansa” e “O Mundo dos Bichos”, paguei e fui atrás do menino. Encontrei-o na esquina, em frente ao MacDonald’s, e entreguei os livros. Falei pra ele: “Um presente para você”.

Ele achou estranho. Olhou para dentro do saco, viu os livros, olhou para mim e não agradeceu. Acho que ele preferiria ganhar um dinheiro. Olhou para mim e disse: “Me dá um sorvete?”. Entramos na lanchonete e comprei uma casquinha.

Comecei a entrar numa paranóia de que o menino poderia chegar em casa com os livros, a mãe falaria que ele estava gastando o dinheiro com bobagem, pegaria o livro, rasgaria e jogaria fora.

Será que ele tinha mãe? Ele se interessou pela história da “Mamãe Gansa” justamente porque não tinha? Fiquei com medo, mas pensei que ele leria, estudaria, se tornaria um grande profissional e, quem sabe, ficaria rico.

Talvez ele estivesse procurando esperança. Esperança de tudo dar certo para ele e os irmãos, como os filhotes da gansa. Que ele não precisasse mais trabalhar e só empinar pipa, jogar bola, gude e brincar de Salada de Frutas com as meninas do bairro.

Perguntei seu nome: Serginho. Puxei assunto até chegar ao momento em que a vida mostra que tem um pouco de conto de fadas:

- O que você vende?

Ele, sem jeito, respondeu:

- Tapioca.

Sorri e ele, sem entender, foi embora tomando o soverte. E no meu conto de fadas, o moleque chegou em casa, leu os livros até pegar no sono e sonhou.

Matheus Tapioca

carinha_farinha

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Matheus Tapioca

BRAVO! BRAVO! BRAVO!

Novembro 3, 2009 por Matheus Tapioca

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Quem não gosta de receber aplausos? Ou tem alguém ai que prefere ser vaiado pela torcida do Flamengo? Todo mundo fica feliz quando é elogiado pelo chefe após virar a noite no escritório, pela mulher depois de fazer amor, pelos amigos e, especialmente, pelos inimigos.

Toda modéstia é falsa. Que mulher não gosta de ser admirada pela roupa que passou duas horas para escolher? Que homem não gosta de ser reconhecido pelo sucesso com as mulheres?

Você prefere fazer um show para dez mil pessoas ou para as moscas de um boteco qualquer? Prefere receber um disco de platina ou um tomate? Tudo bem, eu ia achar o máximo receber um abacaxi do Chacrinha.

Cinqüenta por cento dos tweets são de autopromoção. Quem não quer ter milhares de followers no twitter? Centenas de milhares de acessos no blog? Escrever um best-seller ou ter um recorde de bilheteria?

De uma forma ou de outra, todo mundo adora um confete. Tem gente que não sabe ouvir, gosta, mas finge não ligar. Tem gente que pede até conseguir e há muitas, muitas pessoas que são só elogios para si mesmas.

Todo mundo quer ser um sucesso. Seja no trabalho, na família, na escola ou na conta bancária. Felizmente, ninguém consegue ser um vencedor em todas as áreas.

Podem dizer que é carência, necessidade de aparecer, de ser aceito pelos outros, mas, no  fundo, todo mundo gosta de ter o ego massageado.

Por isso, aceite todos os elogios. Se recebeu, é porque você merece. Ou você acha que as pessoas saem aplaudindo qualquer pessoa por aí? Mas cuidado: existe uma enorme diferença entre você ter vaidade e a vaidade possuir você.

Matheus Tapioca

carinha_farinha

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Matheus Tapioca

BRAVO! BRAVO! BRAVO!

COCURUTO

Outubro 26, 2009 por Matheus Tapioca

cucuruto
Você não precisa mais consultar a meteorologia. Um careca sempre é o primeiro a saber que vai chover. Cada pingo d’água gelado que bate na cabeça quente é uma tortura chinesa. No inverno é um terror.

Não faltam adjetivos para um careca: aeroporto de muriçoca, pouca telha, ninho de águia, Kinderovo, bola de sinuca, cabeça de ovo, Kojak, serra pelada, Esperidião Amim.

Tem até comparação com bandas de rock: Paralamas do Sucesso, quando só tem cabelo dos lados. Heróis da Resistência, apenas aquela ilha na frente. E Nenhum de Nós é o totalmente careca.

Quem disse que é dos carecas que elas gostam mais? Me passa a lista que eu quero saber. Mas só serve as baixinhas, pois não há nada mais humilhante para um careca do que uma mulher linda e alta beijar o seu cocuruto.

Não conheço uma pessoa que goste de ser careca. E ainda tem gente que tem cabelo e raspa. Destes tenho raiva por poderem dar-se ao luxo. Peruca nem pensar, usar parte do cabelo pra cobrir a careca, nem a pau.

Mas ser careca também tem suas vantagens: acordar e não precisar se olhar no espelho. Não gastar fortunas com os mais novos lançamentos de shampoo e condicionador. Não precisar acertar o penteado, muito menos ter um ‘bad hair day’.

Mas nada se compara a mergulhar no mar naquele sol a pino. Colocar a cabeça na janela do carro. Passar a mão e sentir a textura do cabelo raspado é um prazer quase sexual.

E tem mais, meu amigo: pesquisas comprovam que um dos motivos para a queda do cabelo é o excesso de testosterona no sangue, ou seja, é melhor ser careca do que um cabeludo impotente.

Mas se tem uma coisa que sinto falta é de ir no cabeleireiro e lavar o cabelo. Você reclina a cabeça, fecha os olhos e sente a água gelada, o cheiro do shampoo, a espuma descendo pela nuca e aquelas mãos massageando meu cocuruto. Como é bom…

Matheus Tapioca

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Matheus Tapioca