Posts Tagged ‘mulher’

TIPO ASSIM

agosto 5, 2016

Já reparou como as pessoas falam “tipo assim” e “tipo” nos dias de hoje? Como se a gente soubesse o que a pessoa está, tipo, querendo falar.

É tipo pra lá, tipo pra cá, tipo assim, entende? Não entendo. É que, tipo, fico prestando atenção só no tanto de “tipo” que a pessoa fala. Será que, tipo, a pessoa só lê 140 caracteres? Ou só escreve “tipo assim”?

Tipo, as pessoas estão reduzindo seu vocabulário e falam “tipo”, sem saber a palavra que, tipo, devem usar. Até para falar as horas é tipo treze horas.

Parece aquelas pessoas que não sabem a palavra em inglês e tentam explicá-la, tipo, prum gringo. Mas estamos falando, tipo, em portugês. Será?

Acho que as pessoas, tipo, deveriam ler mais. Tipo, qualquer coisa que gostem e aprendam a falar outras palavras, aumentar o vocabulário, tipo assim, entende?

As pessoas quando não sabem uma palavra, tipo, tem preguiça de procurar no dicionário o significado e preferem falar “tipo”. Mas “tipo” pode ser qualquer coisa e coisa nenhuma, ao mesmo tempo. Uma coisa, tipo, péssima.

Já reparou quantos “tipo” você fala? E a quantidade que um adolescente é capaz de falar? É algo, tipo, assustador.

Mas também tem muito adulto falando “tipo” sem parar. Desse jeito, as pessoas também vão acabar ficando tipo… Assim.
Matheus Tapioca

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Ilustração: Theo Siqueira

DIVERSÃO

agosto 4, 2016

Michel_Neuhaus_diversao

Mulher não suporta ver o homem se divertindo. Você conhece alguma mulher que incentive o namorado a ver seus amigos sem ela?  Que não reclame que quarta e domingo são dias sagrados para você assistir ao jogo do seu time?

Você bebe, ela fala que é para tomar “cuidado pra não virar alcoólatra, como aquele seu tio. É genético!”. Você fuma, ela tosse. Você dorme, ela te acorda. Você quer ver filme de menino, ela comédia romântica. E quando você está no bar, se divertindo com os amigos e amigas dela, fecha a cara, faz bico e pede pra ir embora.

Quando o homem está se divertindo no namoro, ela começa a falar em casamento. Quando começa a se divertir no casamento, ela só pensa em ficar grávida. Nascendo o rebento, ela quer que você acorde toda madrugada, sendo que só ela tem peito para dar. Uma judiação.

Se for para jogar alguma coisa com ela tem que ser tranca, uno ou ludo. Que homem se diverte jogando isso? É por isso que o homem mente. Diz que vai trabalhar até tarde, mas vai jogar poker com a turma. Me bata um abacate!

Até quando a gente é criança tem uma mulher gritando pra gente parar de se divertir e fazer a lição da escola. E desde menino acho que toda brincadeira não deve ter hora pra acabar.

E sabe por que as mulheres transam de olhos fechados? Só para não ver o homem se divertindo.
Matheus Tapioca

carinha_farinha
Texto: Matheus Tapioca
Ilustração: Michel Neuhaus

CORRETOR ORTOGRÁFICO

abril 4, 2016

Caralho vira Carvalho;
Descarado, descartado;
Nigrinha, nigeriana;
Cu, curti;
Boceta é corrigido por bocejando;
Pepeka por Perpétuas;
Viado, Virado;
Bicha, bichano;
Periguete, periguei;
Escroto, escritor;
Pau é pão;
Sacanagem, sacando;
Canalha seria cangalha?
Amante se transforma em amanteigado;
Cafetina, cafeteira;
Foda, fidalgo;
Fodido vira focinho
Capeta, capela;
Grelo, grelou;
Porra muda para porta;
Pentelho, penteado.

A gente tem que corrigir o corretor. Virou quase obrigatório o uso de asterisco para sinalizar uma correção na mensagem, criando vários problemas de interpretação.

Mas também tem os “Atos Falhos Digitais”. Quando o inverso acontece. “Vc quer trepar esse fds? Hehe *trampar, trabalhar…”. “Quero jantar um pênis. Oops… *penne”. “Que tal uma buceta?”.

Talvez seja uma forma de fugir da opressão do sistema, o grande irmão de George Orwell, o establishment. Ou os construtores do corretor ortográfico não falam nome feio? Seria feito por freiras fransciscanas? Melhor desligar o corretor.

carinha_farinha

Por Matheus Tapioca

BONUS TRACK

outubro 4, 2015

Se você, mulher, quer despertar a atenção de um homem, é fácil: basta usar um vestido ou uma saia. Nada veste melhor a imaginação masculina. E para o sexo, a imaginação dos homens é imbatível.

Homem não está interessado na moda, na estampa, nem na cor, mas no que é possível fazer com aquele vestido ou aquela saia. Nem é preciso tirá-los. Às vezes, é melhor vestida por fora e nua por dentro.

Passam pela cabeça posições, ações, mãos, o que ela está usando por baixo ou “será que ela está usando algo por baixo?”. E sim, todos os homens pensam naquilo.

Nunca pedi para namoradas trocarem a saia, vestido, por menores que fossem a distância entre o cós e a barra. Afinal, só eu podia tocar.

Os vestidos de alcinha são meus preferidos e quando estão sem sutiã, tenha certeza: é má fé. Elas sabem que vão abalar as estruturas.

Vestido deixa qualquer mulher gostosa. Há calças que levantam a bunda, mas escondem as pernas. Não têm a sensualidade de um vestido ou saia.

Meu sonho era estudar na época em que o uniforme feminino era, obrigatoriamente, saia. Colegiais: o fetiche preferido de dez entre dez homens.

Desconfio que muito da obra de Nelson Rodrigues deve-se a essas saias. Só elas seriam capazes de ficções tão obscenas. Fruto de anos e anos de convivência com tal pecado.

Minha maior diversão na chatice de uma cerimônia de casamento é ver todas as mulheres de vestido. Mesmo todos sendo longos, a imaginação entra.

Além disso, saias e vestidos têm um “bonus track”: a sorte de você flagrar o vento levantar.
Matheus Tapioca

carinha_farinha
Ilustração: Michel Neuhaus
Toda segunda uma nova crônica

IMPREVISÍVEIS

julho 10, 2013

“Você pode criar expectativas sobre seu trabalho, sua vida, viagens, casa, tempo, clima, mas nunca sobre mulheres.
Elas são imprevisíveis.”

carinha_farinha
Por Matheus Tapioca

DIA DOS NAMORADOS SEM NAMORO

junho 24, 2013

Este ano foi a primeira vez que passei um dia dos namorados sozinho, depois de dezessete anos. O dia em que os solteiros se escondem e os casais se expõem numa fila de carros na frente do motel.

Com certeza, foi um dia muito mais barato. Não fiquei esperando uma mesa no restaurante, “bazinho” e nem passei algumas horas num shopping qualquer tentando ser original e romântico.

A Globo transmitiu o jogo Grêmio X São Paulo. Um programa ótimo para solteiros. No SexyHot exibiu o filme “Trios quentes”; o Discovery , “Salvos pela ficção”; GNT, “Saia Justa 2013”.

Para o jantar, preparei um X egg bacon, mas com bastante bacon. Algum pecado deve se ter no Dia dos Namorados. Comprei seis latões de Schin, uma garrafa de Licor de jenipapo e uma mini garrafa de absinto com gelo.

Depois que a bebida acabou, num momento de fraqueza, das velas e do CD romântico, tomei uma atitude desesperada e convidei as minhas duas mãos para uma mènage a trois.

Elas aceitaram numa boa, gostaram das velas, da música, do X-Tudo e, SEM DR, a mágica aconteceu: não trocamos uma palavra e pegamos no sono ao mesmo tempo.


carinha_farinha

Por Matheus Tapioca

SÓ PRA PEGAR MULHER

junho 17, 2013

Algumas pessoas que conheço e muitas outras que não vi mais feio, falam que eu escrevo coisas só para pegar mulher.

Se isso fosse verdade, já teria sido o maior ganharão do Hesmifério Sul. Mesmo careca, mesmo feio, mesmo pobre, mesmo branco, porém, baiano.

Não me importo com a opinião de quem não me conhece. Mas não, meu amigo, mais fácil você me chamar de viado. Ter um lado feminino, mas que não deixa de ser heterossexual. Simples assim.

Digo isso porque não é só mulher que gosta do que escrevo. Tem muito hétero, gay, sapatão, coroa, idosa que também gosta. Mas se você não curte, respeito sua opinião, mas não é pra pegar mulher. Sorry.

Mas se o blog ajuda, não sei, seria ótimo. Afinal, sou feio pra burro e sempre é bom ter um apreço, né não? E digo mais: a maioria das mulheres que pego, não conhece o meu blog.

Eu acredito de verdade nas coisas que escrevo. Não estou dizendo que é a verdade. É apenas a MINHA verdade. E ela muda de opinião várias vezes. Um terror.

Tenho pena das pessoas que dizem: “Sou a mesma pessoa desde os dezoito anos de idade”. Se você acredita nisso, pouco me importa. Porque, às vezes, também não gosto. Mas não é para pegar mulher.

carinha_farinha
Por Matheus Tapioca

RETICÊNCIAS

abril 8, 2013

amor leve tranquIlo sem ponto fInal ponto parágrafo vIrgula ponto e vIrgula sem colocar os pIngos nos Is muIto menos aspas porque o amor é público e orIgInal apenas na prImeIra vez quero falar do amor suave sereno sem pavor cIúme ou dor o amor que nos faz andar sem os pés no chão não quero falar do sentImento com começo meIo e fIm apenas começo sem hIato paroxItonas oxItonas e proparoxItonas sem regras nem gramátIca sem pretérIto perfeIto amor sem Interrogações nem exclamações amor sem fIm aquele que quando quando a gente sente não tem dúvida se é amor nos deIxa sem palavras: que fala a mesma lIngua que não tem explIcação dIscernImento mas está tudo nas entrelInhas sua paz sua felIcIdade sem onomatopéIas com cacofonIas sem alfabeto ninguém sabe ler nem escrever apenas sentIr o vazIo sendo preenchIdo amor sem alInhamento à esquerda dIreIta ou justIfIcado amor sem escola amor que não se ensIna amor em estado bruto amor que escreve cartas de amor ridículas amor eterno sem rasuras e sem retIcêncIas para simplesmente fluir


carinha_farinha
Por Matheus Tapioca

CIGANO BAIANO

março 10, 2013

Depois de ser “baiano” em São Paulo.
Depois de ser “paraíba” no Rio.
Depois de fazer “baianada” no trânsito de BH.

Depois de viver para trabalhar em São Paulo.
Depois de trabalhar para viver no Rio.
Depois de um freela em BH.

Depois de driblar a marra das cariocas.
Depois de conhecer as mulheres loucas de BH.
Depois de sentir frio com as paulistas.

Depois de ser bem atendido em São Paulo, mas sem simpatia.
Depois de ser mal atendido no Rio, com antipatia.
Depois de uma prosa em BH, com simpatia.

Depois do carioca me convidar, mas nunca dar o endereço.
Depois do mineiro sempre me convidar e me levar ao endereço.
Depois do paulista não me convidar.

Depois de ouvir o carioca falar do que não sabe.
Depois de ouvir o paulista achando que sabe de tudo.
Depois de ouvir o silêncio dos mineiros.

Depois de descobrir que carioca tem o melhor dia.
Depois de descobrir que paulistano, a melhor noite.
Depois de descobrir que Minas tem o melhor sítio.

Depois de ouvir o carioca falar alto.
Depois de ouvir o paulista falar “meu”.
E mineiro falar “véi!”.

Depois de saber que Canjica em São Paulo é Mugunzá no Nordeste.
Comer salsichão em Festa Junina no Rio e canjiquinha em Minas.

Depois de ficar duas horas de relógio num caminho de dez minutos por causa do trânsito em SP.
Depois de ter carro e ir para o sítio na terça à noite e trabalhar na quarta de manhã em Minas.
Depois de vender meu carro e ser sócio da BikeRio.

Depois de ter comido nos melhores restaurantes em São Paulo,
os piores no Rio e as deliciosas comidas do sertão da Bahia(sim, Bahia não é só Azeite de Dendê) em Minas.

Depois de engordar quinze quilos em São Paulo e Minas
E perder todos os quinze quilos no Rio.

Depois de ter ido às melhores baladas em SP.
Depois de ter vivido na Lapa no Rio.
Depois de ter as festas da vida no sítio em Rio Acima-MG.

Depois de não acreditar na marra dos cariocas,
a frieza dos paulista e a desconfiança dos mineiros.

Depois de amar São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Depois de regar amigos maravilhosos em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas.

Depois de conquistar mulheres de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas.

Depois de escolher irmãos de coração em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas.

Depois de ter família em São Paulo e Minas.

Sorria, há menos um “baiano” para sua simpatia.
Sorria, há menos um “paraíba” na sua ciclovia.
Sorria, há menos uma nordestino fazendo “baianada” na sua via.

Depois de treze anos, estou voltando para Salvador, sorrindo, amando a família, a Bahia, os irmãos de coração e, principalmente, as mulheres baianas.

Sorria, venha ser feliz na Bahia.

carinha_farinha
Por Matheus Tapioca

MULHER CASADA

janeiro 10, 2011

Ernesto tinha um péssimo hábito: só paquerava mulher casada. Ele provocava, pois sabia que elas adoravam ver uma luz no fim do túnel do casamento: o brilho dos olhos dele.

Ele não tinha caso com todas, nem era um destruidor de lares. Era só para despertar uma beleza adormecida. Dizer o que o espelho e o marido pararam de falar.

A primeira coisa que ele notava numa mulher não era a bunda, era a aliança. Fazia questão de dar uma cantada na maior cara de pau, mas nunca na frente do marido.

As cantadas não eram baixas, Ernesto é finíssimo, bem vestido e de banho tomado, fazia questão de deixá-las ruborizadas.

Algumas se apaixonavam, outras esbofeteavam, mas nenhuma era imune. Ele era imbatível na arte de paquerar as mães na porta da escola das crianças. Ia buscar o sobrinho, mas estava lá só para azarar as pobres casadas.

Ernesto era o terror do condomínio. A do 32 se divorciou. A do 64 se mudou. Ele deu uns pega na escada na do 14. Com a 22, se apaixonou. Do 53, apanhou. Até que ele mudava de bairro.

Quando namorava uma solteira, fazia questão de dar um anel de compromisso na primeira semana e pedia que colocasse o anel no dedo anelar esquerdo, na hora H.

Aquilo não era fetiche, era doença. Mas Ernesto se curou. Casou com a do 71 e se tornou o melhor marido na cama: sempre imaginando ser o amante de sua própria esposa.
Matheus Tapioca

carinha_farinha
Ilustração: Michel Neuhaus


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