AMASSO

março 4, 2013

Ela era tão carente que se sentia abraçada quando colocava o cinto de segurança do carro.

carinha_farinha
Por Matheus Tapioca

MARRA

agosto 15, 2011

Nariz em pé, peito estufado, bunda arrebitada. Uma escoliose no alto do seu pedestal.

A marra é quase uma religião no Rio de Janeiro. O culto é ao corpo, a igreja é a academia, o padre é o personal, a hóstia é a bolinha e a cabeça é a oficina do diabo.

Quando morei no Rio, achava que só as mulheres lindas eram marrentas (confesso que algumas tinham o direito de ser). Mas depois descobri que até as feias eram metidas.

E do alto seu altar, você é invisível. Não agradecem por você ter aberto a porta do elevador. Acham que a porta abriu sozinha. Uma mágica, um abre-te Sésamo.

Se fosse Gisele, vá lá. Mas, porra, feia feito o custipiu e nem olha para você? Tudo bem que sou careca, mas tenho olho azul e sotaque baiano.

Os homens também se acham. Só pelo simples fato de serem… cariocas. Estes vão de sunga branca pra praia. Não é à toa que o Brasil inteiro diz que o problema do Rio são os cariocas.

Muitos dos meus melhores amigos são cariocas (exceção que confirma a MINHA regra). Amo-os, mas eles se acham deuses em Ipanema.

É tão blasè, tanto doce, tanto nariz, tanto umbigo, tanto Global, que acabam voltando para casa sozinhas.
Matheus Tapioca

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Ilustração: Michel Neuhaus
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TIPO ASSIM

junho 6, 2011

Já reparou como as pessoas falam “tipo assim” e “tipo” nos dias de hoje? Como se a gente soubesse o que a pessoa está, tipo, querendo falar.

É tipo pra lá, tipo pra cá, tipo assim, entende? Não entendo. É que, tipo, fico prestando atenção só no tanto de “tipo” que a pessoa fala. Será que, tipo, a pessoa só lê 140 caracteres? Ou só escreve “tipo assim”?

Tipo, as pessoas estão reduzindo seu vocabulário e falam “tipo”, sem saber a palavra que, tipo, devem usar. Até para falar as horas é tipo treze horas.

Parece aquelas pessoas que não sabem a palavra em inglês e tentam explicá-la, tipo, prum gringo. Mas estamos falando, tipo, em portugês. Será?

Acho que as pessoas, tipo, deveriam ler mais. Tipo, qualquer coisa que gostem e aprendam a falar outras palavras, aumentar o vocabulário, tipo assim, entende?

As pessoas quando não sabem uma palavra, tipo, tem preguiça de procurar no dicionário o significado e preferem falar “tipo”. Mas “tipo” pode ser qualquer coisa e coisa nenhuma, ao mesmo tempo. Uma coisa, tipo, péssima.

Já reparou quantos “tipo” você fala? E a quantidade que um adolescente é capaz de falar? É algo, tipo, assustador.

Mas também tem muito adulto falando “tipo” sem parar. Desse jeito, as pessoas também vão acabar ficando tipo… Assim.
Matheus Tapioca

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Ilustração: Theo Siqueira

METROSSEXUAL

janeiro 31, 2011

Ok, admito: eu tentei ser metrossexual. É verdade. Comprei Óleo Corporal Menta e Alecrim Refrescante, Hidratante Corporal Algodão, Natura Chronos 30+ (poucos sinais), sabonetes esfoliantes buriti, pitanga, cacau e andiroba.

Depois de tomar banho todos os dias, aprendi que sabonete esfoliante não se usa todo dia. Apenas duas ou três vezes por semana e não pode passar no rosto. Ou seja, tive que comprar outro sabonete só para o rosto.

Descobri que quando se usa o óleo hidratante no banho não é recomendável passar o hidratante corporal, e vice-versa, para a pele não ficar muito oleosa.

Natura Chronos 30+ (poucos sinais) é para usar duas vezes ao dia, com movimentos para cima, lutando inutilmente contra a gravidade. Estou pensando seriamente em usar o 50+ para ver se adianta alguma coisa e fico até mais novo.

Agora tudo tem um limite: não faço pé, mão, sobrancelha, nem uso maquiagem reparadora. E meu bolso agradece por ser careca, senão teria que comprar o Shampoo Condicionante Limpeza Profunda.

Nessa experiência tive a mesma sensação que toda mulher deve sentir: o bem estar de se cuidar. Sair do banho cheiroso, hidratado e achando até minha barriga sexy. Praticamente um gay.

Todo esse tratamento não durou muito. Dá muito trabalho ser metrossexual. Não pode isso, não pode aquilo e minhas condutas não são pautadas pela moda.

Além de ficar horas no banho, vamo combinar que passar tanta coisa assim no corpo não deve fazer muito bem.

Mas esses poucos dias foram suficientes para eu evoluir como homem: nunca mais reclamo do atraso das mulheres na hora de se arrumar.
Matheus Tapioca

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Ilustração: Michel Neuhaus

ESPERMOGRAMA

outubro 5, 2009

Mchel_Neuhaus_Espermograma

O nome só não é pior do que o constrangimento. Quando o médico me deu a prescrição, a paranóia começou antes de sair do consultório. Será que sou estéril? Porra! Tantos anos transando de camisinha… Pra que?

O constrangimento começou na ligação para o laboratório. Eu não sabia se preferia ser atendido por um homem ou por uma mulher. A mulher por causa da prática e o homem pelo resultado. Marquei com o máximo de tempo permitido.

Três semanas depois, cheguei ao laboratório e parecia que todo mundo sabia o que eu ia fazer lá dentro. Na recepção, a mulher falou para quem quisesse ouvir:
– ESPERMOGRAMA?! A sua senha é diferente. Dobre a direita, depois a esquerda.

Ainda tinha outro balcão. Fui lá e só mostrei a prescrição e a enfermeira, bonitinha até, me pediu para esperar na última sala de espera. Parecia que ia sair radiação na coleta, de tão longe de tudo e de todos que fiquei.

Numa situação como essa, num momento como esse, é preciso ter um mínimo de fantasia e fetiche para se chegar nos “finalmentes”. Impossível não pensar numa enfermeira de minissaia, colocando o dedo na boca pedindo silêncio.  Infelizmente os laboratórios sabem disso e me apareceu um tribufu virado no estrupício me chamar.

Entramos numa sala e ela falou:
– Tem revista e DVD, o controle remoto está aqui. Quando terminar, deixe o potinho no balcão ao lado e diga na recepção que o frasco já está disponível para análise.

Que excitante, não? Agora me diga com que coragem eu ia pegar no controle remoto, na revista ou no DVD? Se você conhece alguém que nunca broxou, ele broxa aqui. O lugar esterilizado mais nojento que já fiquei.

Passei longos minutos olhando pro potinho, nunca tinha feito pontaria pra isso, será que eu vou conseguir acertar? E se errar? Vou ter que tentar de novo? E quem já perdeu a mira? Acertou onde? Arg! Cadê a enfermeira de minissaia com o dedo na boca pedindo silêncio?

Vai logo. Na adolescência meu recorde eram 2,5 minutos. Vamos. Desejei, por alguns segundos, ter ejaculação precoce. E nada. O dragão bateu na porta, me lembrei do rosto dela… Nada. Não resisti. Liguei o DVD e era o filme de Gretchen… Que coisa terrível. Naquela idade…

Desliguei o DVD, me concentrei e fui profissional. Pela primeira vez na vida, consegui recolher a amostra sem sentir prazer. Me senti como um gado reprodutor. Deixei o potinho no balcão e sai correndo daquele laboratório para nunca mais voltar.

Pela internet, imprimi o resultado: 300 milhões de espermatozóides, 92% em bom estado, 2% sem cabeça e 1% sem rabo. Ou será que estavam com o rabo entre as pernas com medo do potinho? Os outros 5% são de um monte de coisa que não sei pra que serve. Mas confesso: nunca me senti tão viril. Capaz de “abrir os braços e fazer um país”.Matheus Tapioca

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Ilustração: Michel Neuhaus
Texto: Matheus Tapioca

POST MORTEM

fevereiro 9, 2016

Uma única vida é muito pouco para sentir tudo que eu sinto.

COMPLEXO DE COLONIZADO

novembro 4, 2015

Por que no Brasil a gente tem que falar a língua estrangeira para se comunicar com um gringo? Complexo de Colonizado. Complexo que vem do português que ensinou ao negro e ao índio que deveriam falar português, acreditar em Cristo ou morrer fuzilado. O que acabou acontecendo com a nação indígena.

Você já comprou alguma coisa falando português em Paris? No Iraque? Nem em Miami! Chineses não falam inglês, mesmo sabendo. Franceses menos ainda. Sabe por que? Porque eles não têm Complexo de Colonizado.

Por que o baiano sorri, pega no aeroporto e mostra a casa inteira para todo turista? Por que na Bahia até vendedor de amendoim cozido sabe falar inglês? Complexo de Colonizado. Acha que só vai vender se falar “gringuês”.

Por que a gente fala inglês, espanhol e francês para o estrangeiro? Ele fala português? Não. A gente diz que é para “praticar”, mas é Complexo de Colonizado.

A Diplomacia Internacional orienta a todo Presidente de um País falar a sua língua natal. Menos FHC, que peguntou na França em qual língua a platéia gostaria de ouvir seu discurso. Não obtendo resposta, deciciu falar em francês. Por que? Pedância, arrogância e Complexo de Colonizado.

A minha primeira língua é o inglês e eu sempre finjo não entender o que o estrangeiro fala. E ele, na sua pedância, me acha ignorante. Inclusive os brasileiros. Por que? Complexo de Colonizado.

A língua portuguesa é linda. Só ela é capaz de entender perfeitamente Guimarães Rosa, Fernando Pessoa, Clarice Lispector e Caetano Veloso. E só Saramago ganhou o prêmio Nobel. Tsc, tsc, tsc…
Matheus Tapioca

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Ilustração: Michel Neuhaus

MEIO GAY

novembro 4, 2015

Todos os meus amigos sempre me acharam meio gay, inclusive eu. E hoje, pela primeira vez, um amigo me perguntou:

– Qual parte você é gay? A de cima ou a de baixo?
– A de cima!
– E a de baixo?
– Homofóbico!

Respondi de bate pronto e percebi que nunca tinha pensado nisso. E achei genial. Ser gay na parte de cima é:

– Chorar em final de comédia-romântica;
– Adorar os amigos gays;
– Achar filme europeu melhor que americano;
– Amar Caetano, Gil, Gal e Bethânia;
– Chorar com música de Chico;
– Sua amiga achar você sapatão;
– Achar Freddie Mercury o máximo;
– Ficar enjoado em barco;
– Somatizar os problemas;
– Ser carinhoso com amigos homens;
– Ser mais româtico do que mulher.

Ser homofóbico na parte de baixo é:

– Não aceitar fio terra;
– Não colocar a pontinha dos pés pra ver se piscina está fria;
– Só ter saídas, nunca entradas;
– Pensar com a cabeça de baixo;
– Chutar canela no futebol da galera;
– Não cortar as unhas dos pés;
– Não tomar sol de costas em cadeira de praia;
– Nunca subir escada com a ponta dos pés;
– Dormir de valete, quando divide o colchão com outro homem;
– Não ficar nu na frente de gay;
– Nunca ficar parado com os pés em posição de balé;
– Não dobrar as pernas como mulher;
– Dar bicuda em dividida de bola na pequena área;
– Ter tesão em mulher acima de todas as coisas.

Pois eu sou assim. Metade macho, metade gay.
Matheus Tapioca

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Ilustração: Michel Neuhaus

SOLIDÃO 2.0

novembro 4, 2015

Para todo lugar que eu vou, tem um amigo com seu dedo indicador mexendo no seu Smartphone de última geração.

Eles dão Check In no 4square, postam fotos no Instagram, sobem comentários no Facebook, mandam tweets a qualquer hora, de qualquer lugar.

Você que é amigo, nos momentos difíceis e divertidos, agora é coadjuvante. Os geeks não precisam de você.

A pessoa se isola no seu celular, brincando com o mais novo aplicativo inventado para transformar todas as pessoas em autistas. Autistas 2.0!

Não se conversa mais, apenas postam-se comentários. Não se lê mais, apenas dão uma olhada no seu blog. Não se assiste mais filmes bons, apenas compartilham vídeos do YouTube.

Alguns vão dizer: “Mas eu uso o celular para encontrar meus amigos”. Beleza. Aí você vai ao encontro deles e passa o tempo todo com o indicador na porra do aparelho.

Felizmente ainda não inventaram um aplicativo que substitui o sexo. Mas o que isso importa? Eles vão para cama com o iPhone.

Quantas vezes você almoçou e todas as pessoas da mesa estavam no brinquedinho? Repare. Cada um no seu mundo, dentro da internet, dentro do seu celular.

Foi assim que eu descobri que quanto mais conectado, mais solitário a gente é.

Matheus Tapioca

carinha_farinha
Ilustração: Michel Neuhaus

BONUS TRACK

outubro 4, 2015

Se você, mulher, quer despertar a atenção de um homem, é fácil: basta usar um vestido ou uma saia. Nada veste melhor a imaginação masculina. E para o sexo, a imaginação dos homens é imbatível.

Homem não está interessado na moda, na estampa, nem na cor, mas no que é possível fazer com aquele vestido ou aquela saia. Nem é preciso tirá-los. Às vezes, é melhor vestida por fora e nua por dentro.

Passam pela cabeça posições, ações, mãos, o que ela está usando por baixo ou “será que ela está usando algo por baixo?”. E sim, todos os homens pensam naquilo.

Nunca pedi para namoradas trocarem a saia, vestido, por menores que fossem a distância entre o cós e a barra. Afinal, só eu podia tocar.

Os vestidos de alcinha são meus preferidos e quando estão sem sutiã, tenha certeza: é má fé. Elas sabem que vão abalar as estruturas.

Vestido deixa qualquer mulher gostosa. Há calças que levantam a bunda, mas escondem as pernas. Não têm a sensualidade de um vestido ou saia.

Meu sonho era estudar na época em que o uniforme feminino era, obrigatoriamente, saia. Colegiais: o fetiche preferido de dez entre dez homens.

Desconfio que muito da obra de Nelson Rodrigues deve-se a essas saias. Só elas seriam capazes de ficções tão obscenas. Fruto de anos e anos de convivência com tal pecado.

Minha maior diversão na chatice de uma cerimônia de casamento é ver todas as mulheres de vestido. Mesmo todos sendo longos, a imaginação entra.

Além disso, saias e vestidos têm um “bonus track”: a sorte de você flagrar o vento levantar.
Matheus Tapioca

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Ilustração: Michel Neuhaus
Toda segunda uma nova crônica

G-O-S-T-O-S-A!

outubro 4, 2015


Mulher gostosa não é só aquela que se acaba na academia. Também é. Mas para mim, mulher gostosa é aquela que tem o papo gostoso, uma cabeça gostosa, um sorriso gostoso, um carinho gostoso, uma companhia gostosa e um sexo gostoso.

Não adianta puxar vinte quilos de supino se não souber rebolar. Não adianta saber rebolar se não souber conversar. Mulher gostosa é para saborear o dia e a noite inteiros. É perspicaz, inteligente e safada. Nem precisa ser bonita, mas se for, melhor ainda.

Na infância é uma ofensa, depois vira um baita elogio. É para falar de boca cheia: G-O-S-T-O-S-A! De pedreiro a bacana, todo mundo gosta de chamar e quem não gosta de ouvir? E a cada grito na rua, a nega rebola mais.

Ela não passa impune na rua. Recebe assovio, desaforo de peão, buzinada de moto-boy. Triste de quem não recebe buzinada na rua. É a prova cabal de que o avião é de parar o trânsito e deixar qualquer aeroporto sem teto.

E tem coisa melhor do que ver mulher gostosa dançar? Tem. Mas os braços abertos, os olhos fechados, o quadril girando. Isso não é dança, é um convite. Não é à toa que só mulher gostosa é tirada para dançar.

Ela tem marca de sol e fica ainda mais gostosa quando mostra o que o biquíni esconde. É moleca, independente e corajosa.

Mulher gostosa tem TPM, celulite e estria. Mulher gostosa não se mede pelo busto, bunda ou quadril. Mas pela luz própria.

Matheus Tapioca

carinha_farinha
Texto: Matheus Tapioca
Ilustração: Michel Neuhaus

SOCORRO. ESTOU VIRANDO PAULISTANO.

outubro 4, 2015

inferno2

Já me acostumei à poluição e o ar puro me deixa anestesiado. Não olho mais no olho, não toco nas pessoas quando falo e adquiri certa resistência aos cariocas.

A mutação começou quando raspei a cabeça e coloquei um piercing na orelha. Inclui no meu vocabulário as expressões ‘Nooossa!’, ‘trampo’, ‘trocar idéia’, mas não falo ‘mano’.

Não como pizza com ketchup. Vou a lugares esdrúxulos como ‘Inferno’, ‘Carniceria’, ‘Drosóphila’, ‘Sarajevo’. Freqüento exposições, shows, festinhas, jantares, fondues, lareiras e afins.

Perdi minha mísera marca de sunga. Não lembro a última vez que fui à praia. Adoro o outono e desconhecia a modalidade ‘sol com frio’. Também aprendi a nunca mais tomar uma chuva de granizo.

Faço de tudo para não ficar na cidade no feriado. Já fiz uma viagem de oito horas que, sem trânsito, não levaria mais de três.

Descobri, em recente pesquisa, que cada habitante da Capital paulista está, no máximo, a 300 metros de distância de uma parede, um muro. Não é à toa que sou fã dos Gêmeos e dos projetos de Niemeyer no Parque do Ibirapuera.

Virei um workaholic. Passo mais de cinqüenta horas por semana dentro de um escritório branco, com persianas brancas, num ambiente climatizado, em frente a um computador, feito um rato de laboratório.

Uso roupas Cavalera, tênis Puma, escuto iPod, passeio pela Oscar Freire, admiro um punk, tive um retrovisor estourado por um motoboy. Já fui ao Ó do Borogodó ver um japonês (isso mesmo. Um japonês) tocar cavaquinho, numa banda de chorinho.

Fiz compras no Stand Center, na Santa Efigênia, mas nunca na Daslu. Me acostumei com crianças malabaristas, mágicas e que cospem fogo no sinal, sendo rejeitadas pelos donos de uma Ferrari.

E acabo de me dar conta que quando eu tiver um filho ele será paulistano. Vai falar ‘Quer que eu faço?’, ‘sussa’, ‘colocar a mesa de assim’, ‘parada nervosa’ e muito, muito ‘tipo assim’. Vai puxar o erre. Não usará plural. E o pior: será torcedor do Corinthians.

 

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Matheus Tapioca

FEIO X BONITO

outubro 3, 2015

feio_bonito

Feio precisa ler livros, revistas, ver filmes, exposições para parecer interessante.
Bonito, apenas sorrir.

Bonito é chamado de “Maravilhoso!”.
Feio, “Uma pessoa bonita.”.

Feio não é metrossexual.
Bonito é.

Bonito acorda lindo.
Feio acorda horroroso.

Bonito depila os pelos do peito.
Feio, pra que?

Feio tem que se vestir bem.
Bonito pode vestir qualquer coisa.

Feio cria propaganda.
Bonito ganha cachê.

Feio precisa fazer marketing pessoal.
Bonito é o produto.

Feio quebra espelho.
Bonito só vê espelho.

Feio é patinho.
Bonito é narciso.

Feio precisa aparecer.
Bonito, aparece.

Bonito calado é misterioso.
Feio calado é esquisito.

Bonito pega todas na balada.
Feio, as que sobraram.

Bonito não precisa pegar mulher. Elas o pegam.
Feio, só as bêbadas.

Bonito parece gay.
Feio com qualquer coisa.

Bonito é raso.
Feio morre afogado.

Bonito trepa mal.
Feio, bem.

Bonito não se acha bonito.
Feio acha lindo.

Ainda bem que sou lindo.
Matheus Tapioca

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Texto: Matheus Tapioca
Ilustração: Michel Neuhaus

QUERO UM TRANSPLANTE DE CORAÇÃO

agosto 26, 2014


Meu coração não é um livro aberto. É um buraco aberto. Vazio que não se preenche. Vazio que não ecoa. Ausência onipresente.

Quero um transplante de coração. Ter um coração que não sente tanto, sofre tanto. Quero rasgar do meu peito este vazio.

Quero blindar meu coração. Essas batidas de surdo. Essa angústia aguda. Esse choro engolido.

Mas o sol abriu uma nova fresta nesse fundo sem poço. Não há pior luta do que a travada contra si mesmo.

A fresta da lojinha, agora, está sob nova direção, com descontos, promoções e ofertas exclusivos para mim.

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Matheus Tapioca

AXÉ MUSIC

março 19, 2014

Tira o pé do chão. O assunto é Axé Music, sim. Não tenho um único disco de Axé, nem de Ivetão, Claudia Leitte e não sou chicleteiro. Mas não há música melhor para pular na pipoca do carnaval de Salvador, atrás de um trio elétrico, do que Axé Music e Música Afro.

Já pulei na pipoca do Rappa, Moby e outras bandas que não são de axé. Nunca vi nada mais morno do que água para banho de neném. Não sei se sabem tocar em cima de um trio, afinal é preciso saber comandar um trio.

Nunca gostei de Daniela Mercury até pegar uma pipoca dela, às quatro da manhã, embaixo de um toró, com seis mil pessoas pulando atrás. Foi até capa de jornal. E eu estava lá.

Repare numa característica única da Axé Music: a alegria. As músicas falam de dor de cotovelo, de corno, morte, carro velho, água mineral, até “O Emílio quer comer acarajé, mas Sara baiana não quer dar…”. Seja qual for o tema, é cantado com alegria, com festa, sem depressão, nem tristeza.

E nunca, nunca confunda Axé Music com Pagode. Pagote paulista é romântico. Na Bahia é esculhambação: É o Tchan, “Lepo-Lepo”, Harmonia do Samba, Psirico, etc. Isso não é Axé. “São os nossos pagodes, variantes do samba de roda, pai de todos os sambas.”

Vou tomar a liberdade de utilizar o excelente manual básico do amigo Pablo Maurutto, sobre a música baiana (texto completo aqui):

“4 – O Axé é uma linha musical pouco precisa, que se remete à música moderna no carnaval da Bahia e, em geral, utiliza a base do Samba-Reggae, do Frevo e do Ijexá, mas que já tem variações enormes, graças ao poder de inventividade dos baianos;

5 – Para quem gosta de rotular, pode carimbar como Axé algumas músicas, como: Haja Amor (Luiz Caldas), Zanzibar (A Cor do Som), Filha da Chiquita Bacana (Caetano), A Luz de Tieta (Caetano), Meia Lua Inteira (Carlinhos Brown), Sol de Oslo (Gil);

6 – Tom Zé, João Gilberto, Moraes Moreira, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Dorival Caymmi, Raul Seixas, são compositores. E acreditem, SÃO BAIANOS!!! O que nos faz pensar que a música que fazem é “música baiana”;

(…)

8 – O Carnaval da Bahia também tem marchinhas, fanfarras, sambas, afoxés e até rock. Tem para todos os gostos. Inclusive um circuito no Pelourinho que é espetacular! E isso, antes mesmo dos cariocas redescobrirem as ruas, no carnaval que estava restrito às mesmices das escolas de Samba;

9 – Prefiro mil Rebolations a um Bonde do Tigrão.

Não fiquem com ciúmes. Um dia, talvez, Gilberto Gil e Bono Vox também poderão cantar, juntos, uma música de Bob Marley nas calçadas da magnífica Copacabana. Quem sabe.”

Na palma da mão!

carinha_farinha
Matheus Tapioca


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