BAIANADA

Michel_Neuhaus_BaianadaEu me incomodo e não aceito quando usam, pejorativamente, a expressão “Baiano” em São Paulo, “Paraiba” no Rio de Janeiro e de fazer uma “baianada”no trânsito de Belo Horizonte. Não adianta justificar. Para mim, é melhor nem tentar, porque só vai piorar a situação.

Quando as pessoas falam na minha presença, faço questão de recriminar. Acho uma tremenda falta de respeito. No Nordeste, carioca, paulista e mineiro são substantivos, não são adjetivos, mesmo merecendo ser. Já escutei de tudo como tentativa de amenizar:

– É inconsciente coletivo!
– Ou seria “preconceito coletivo”?

– Não é por mal, não.
– Por bem é que não é!

– Nada pessoal.
– Pra mim é pessoal, sim.

– A minha empregada é baiana. Ela não liga.
– Eu ligo.

– Já virou linguagem popular.
– É melhor ficar calada.

Mas a pior demonstração de preconceito que um amigo presenciou em São Paulo foi quando um pedreiro caiu de uma obra em frente ao escritório onde trabalhava e uma pessoa ao seu lado brincou:
– Um baiano a mais ou a menos não faz diferença.

carinha_farinha

Ilustração: Michel Neuhaus
Texto: Matheus Tapioca

Matheus Tapioca

Ação que pode gerar o “CowParade” de O Boticário nas lojas.

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37 Respostas to “BAIANADA”

  1. Tatiana Says:

    eu tento desligar pra não brigar com todos os paulistas que conheço. mas concordo plenamante com vc! qq tipo de preconceito é imbecil!
    um chêro querido. parabens pelo texto

  2. Karine Says:

    Cara, tem certos preconceitos que prefiro nem dar “ibope”, sabe?
    Pra esse pessoal, se nós (baianos) somos pouco, eles são nada…baiano não nasce…estreia!

  3. Manupe Says:

    Me sinto um pouco responsável por esse post. Tome isso!

  4. carina Says:

    Ai que feio, viu? Alguns paulistanos são fodas (no mau sentido), viu? Outro dia ouvi uma típica paulistana loira de olhos azuis (parecia uma ariana, pra não dizer nazista) dizer que os nordestinos “enfeiam” São Paulo. Cara, que ódio que me deu dessa imbecil, e ela coitadinha, nem com todo cabelo loiro e olho azul do mundo consegue ficar um pouquinho bonita. Ela consegue “enfeiar” o substantivo paulistano.

    beijos, Matheus, e reclame quando puder! Esses nazistas precisam ouvir sim!

    Carina

  5. João Says:

    Quando paulistas e cariocas merecem ser adjetivos?

  6. Andréa Says:

    Estava ao lado de uma paulista e um cidadão passou e fez uma besteira enorme ela soltou gargalhando “que baianada!” Não disse uma palavra e olhei tão feio que ela ficou gaguejando “ai meu Deus, desculpe, que bosta!” e quando virou nosso chefe estava atrás. Outro momento embaraçoso para a paulista que botou as duas mãos na boca, esbugalhando os olhos. Essa paulista nunca mais fala “baianada” na vida.
    Bom ler texto novo pelo blog, Teu!
    Beijos

  7. jorge jr. Says:

    eu, sinceramente, acho que nós baianos fazemos toda a diferença positiva. você é um exemplo vivo disso.

  8. grazielles Says:

    Gente, falou o que estava intalado na minha garganta. Não aguento também quando dizem por aqui que eu vim do norte. Dá vontade de dizer: “Vocês não sabem geografia, não? Sergipe é no nordeste!”

    Bjjus

  9. carol macedo Says:

    Hiper agradecida com o post. Acho bizarro esses “paulistinhas” falarem mal de um povo que muitas vezes nem conhece. O melhor é que a maioria ainda vai pra terra da “Baianada” passar férias todo ano e adooora. O pior de preconceito que já vi, foi uma médica de SP que atendeu uma amiga minha. Depois que a minha amiga disse que era de Fortaleza, a tal “doutora sem doutorado” diagnosticou o problema dela como sendo “algo que ela trouxe do norte”, se negando a examiná-la. Acho que a poluição deve ter destruído o bom senso de alguns “sulistas”.

  10. anawenzel Says:

    preconceito não tem perdão.

  11. Gabi Says:

    Gracias por botar a boca no trombone! É puro preconceito e afinal, o que quer dizer baianada mesmo??? Burrada? Nunca entendi o porque da associação concosco..

  12. Carol Chaves Says:

    Ainda bem que sou mesmo é mineira, aqui nesse lugarzim que faz fronteira com quase todo mundo, e onde tudo acaba acontecendo nem que seja para poucos. Quem já foi ao ‘melhor lugar do mundo’ sabe bem do que estou falando.
    A gente adora todo mundo, recebe muito bem e se diverte como poucos, sem preconceito, onde tudo é permitido e nada é obrigatório.
    Saudades da Micareca… Setembro já está aí. Quem se habilita?
    Beijo grande pro baiano que faz dessa palavra um adjetivo delicioso. E tome isso!

  13. fabi Says:

    é. eu adoro sp,mas isso é extremamente idiota! engraçado é que no Carnaval,pra onde é que eles vão? Pra Bahia! E nas férias,qual o lugar preferido no Brasil? O Nordeste…. Ai,ai. Acho que esse preconceito coletivo ridículo está mais do que na hora de ser erradicado.

  14. @cristalk Says:

    os paulistanos deveriam enaltecer os baianos, que ajudaram (e ainda ajudam) a construir essa cidade. sou carioca e tenho o maior carinho pelos baianos. principalmente um em especial que me atende na padaria aqui perto de casa com um puta sorriso e cheio de atenção, me dizendo qual o doce mais fresquinho, me ajudando a fazer a melhor escolha. e nem vou citar caetano e sua “sampa”, porque esse é celebridade.

  15. danielxavier Says:

    Sou Baiano. E tenho muito orgulho disso.
    Vivo essa discriminação aqui em São Paulo.
    Acho engracado quando as pessoas veem algo colorido e dizem: que baianada. Provavelmente Mondrian tambem é baiano.

    E outra, paulista é apaixonado pela Bahia. Quando se formam, todos vão pra porto seguro. Carnaval é em salvador. Tem micareta aqui fora de ano. Férias de paulista é em itacaré.

    enfim, racismo ou amor velado?

  16. Daniel Allegretti Says:

    Concordo, mas esse tipo de coisa pode ser difícil. Você mesmo largou um “Uma judiação” no texto “Diversão”.

  17. Verônica Says:

    Rapaz

    Os comentários estão quase uma guerrilha… Sentimento de indignação, baixa estima, preconceito… Eu cresci com o ideário de que paulista odeia nordestino e por muito tempo liguei São Paulo a uma coisa negativa. Triste engano!

    Sei que rola SIM e muito, mas vejam os comentários aqui expostos que logo perceberemos que a recíproca tb é verdadeira!

    Estejamos atentos pra não criticar nos outros o que nós mesmos somos… Detesto preconceito com nordestino, com baiano e mais ainda com mulher baiana (meu caso), mas não posso justificar meu comportamento discriminatório com a atitude dos outros, apenas com a minha atitude. Então, “se saiam” dessa onde de réplica de preconceito!

    “Se liguem” Tentem!

    Beeeeeeeeeijos

  18. Sarah Says:

    Pior foi ter ouvir de um gaúcho que Porto Velho era uma cidade, feia, suja, com esgoto a céu aberto e cheia de lixo.Mas até ai o que tem a ver com nordestino?Respondo, depois de terminar essa frase ele virou e disse: vc ia gostar de lá, tem muito cearense por lá! O.o Eu entendi que a cidade era do jeito que era por conta dos nordestinos que lá moravam! MAs engoli calada pq revidar ia só piorar!

  19. André Vendramini Says:

    Fala Tapioca, blz?!

    O sentido do adjetivo “baiano” que eu conheço são em relação a coisas que chamam muito a atenção, principalmente por excesso de cores, que não são considerados “bonitos” em regiões “não-baianas”.

    A um tempo atrás, no metrô, vi uma mulher com um vestido com inúmeras cores, um sapato de uma cor nada a ver e uma coisa na cabeça… quando a ouvi conversar com o marido não tive dúvidas: era baiana.

    Excelente blog!

    []s
    André Vendramini

  20. Leila Says:

    Realmente, tolerância zero p esse tipo de coisa..
    Infelizmente o preconceito existe, é fato! Podem disfarçar, fazer de conta q é brincadeira, fazer cara de doido… mas a maioria dos paulistas se acham superiores aos nordestinos sim, só não entendi o pq… sou nordestina, baiana e soteropolitana com muito orgulho!
    Deixa esses imbecis gastarem o din din aqui nos blocos e festas mais caras!(que p mim é coisa de “gadinho” rs). Aliás, eles vão p onde mesmo nas férias?? Pois por mim a cidade nem ficaria o caos q fica no verão por causa do turismo, dá vontade é de expulsar todos! kkkkkkkkkkk
    Parabéns pelo blog!

  21. Titi Says:

    A gente que é paulista aprende o que é “baianada” quando temos que aguentar vizinho nordestino matando a saudade da “terrinha” com forró e brega no ultimo volume nos impedindo de ver TV, estudar ou até mesmo dormir, além dos filhos deles gritando e fazendo algazarra na rua, em frente às nossas casas, a qualquer hora. E se a gente for reclamar, eles sempre se acham no direito, começam a fazer barraco, falar palavrão, como se eles fossem os donos de São Paulo e nós paulistas, os intrusos. Aí a gente muda de bairro e acontece isso de novo. Muda de bairro de novo e acontece isso outra vez, já que eles estão em quase todos os lugares.

    E é assim que a gente aprende a ficar com raiva de nordestino. Não temos nada contra pessoas que não são daqui e venham de outros lugares, o problema é uma pessoa vir de outro lugar e não ter o mínimo de respeito pelos que aqui encontram.

    • Paulo Says:

      Pode crer. Falam muito de preconceito – preconceito – mas tente passar um momento tranquilo ao lado de duas famílias nordestinas. Eles confundem descontração com algazarra, barulho e demonstrações MUITO CLARAS E ALTAS DE QUE EU NÃO DEVO NADA A NINGUÉM.

      E eu penso: que merda.

      As empregadas das vizinhas (todas elas – sem exceção – sai uma, entra outra) insistem em ouvir um radinho com sozinho de merda no volume máximo – literalmente ininteligível e rasgando – sintonizado numa rádio brega tocando a meeeesma música ruim repetidamente sem parar (afinal, música de “duplas sertanejas” e “música de festa caipira” são sempre iguais)- só intercaladas por anúncios barulhentos com promoções imperdíveis das lojas Marabraz.

      É foda. Mas a baianada é barulhenta, espaçosa e mal-educada. Devem existir excessões (como para qualquer grupo), mas a baianada usa a lógica inversa: fazer muito barulho e ocupar todo o espaço disponível até alguém reclamar. E se reclamar, vai bater boca – porque afinal, foi assim que a Globo nos ensinou desde sempre a lidar com os casos do dia-a-dia: batendo boca, armando o barraco, rodando a baiana. Olha aí. Baianada não sabe discernir entre ficção e realidade.

      E é por isso que o Brasil está essa merda que é hoje: bandidagem solta, todo mundo feliz mas levando (na bunda) e quem tem dinheiro se protegendo atrás de muros cada vez mais altos. Baianada burra vota em políticos corruptos, não lê jornal, não lê Veja e ignora o segmento de política do Jornal Nacional. Só quer saber de futebol, cerveja, pagode, big broter, novela e mundo-cão. É uma merda. E para piorar: baianada se multiplica que nem barata e rato – aos montes. “O importante é o amor”, dizem eles. Levar até a faculdade e ajudar a formar uma carreira são detalhes insignificantes. Contanto que o Lula continue distribuindo 100 reais de bolsa-esmola, tá tudo bem. Vamos levando.

      Foda-se dinheiro na cueca, foda-se Luiz Marinho embolsando dinheiro sujo na TV, foda-se Dilma Hussein subindo nas pesquisas. Foda-se se os “aloprados” são bandidos e braços-direito do baiano-mor “presidente” Lula.

      A baianada ajuda a baixar o nível (mais ainda) desse país de bananas. E quem é maioria lá em Brasília administrando toda essa bosta? Nordestinos, cacete.

      Tenho primos baianos e nordestinos e sabe o que eles acham? – “paulista é tudo trouxa: ficam fazendo fila para receber atendimento. Esperto é quem chega, vai furando fila e consegue atendimento antes de todo mundo!”
      Me digam se isso não é uma típica mentalidade baiana? Isso é exportado para o resto do país.

      Quanto as dúvidas: não, colorido não é baiano. Baiano é mau-gosto. Baiano é má-educação (ou a ausência dela). Baiano é atitude agressiva e orgulho de ser agressivo e ignorante – como o “presidente” Lula e aquele baiano do Severino Cavalcanti (aliás, defendido pelo mesmo “presidente”).
      E escolher um lugar para passar as férias não valida automaticamente atitudes de merda de quem mora no lugar – como mijar em qualquer lugar que der na telha – bem comum na gloriosa capital da baianada. A capital do cheiro de mijo velho.

      • manoel22222 Says:

        Paulo vc cara ñ vive vegeta, tais viajando na maionese otario
        nós somos brasileiro, nordestino, paulista, carioca enfim porque
        esta descriminação acorda trouxa tu ñ es melhor q ninguém mané,bundão.

  22. Leila Says:

    Infelizmente falta de educação e respeito existe em todo lugar(conheço cariocas, gaúchos, PAULISTAS…). Devemos é selecionar melhor o lugar q moramos, independente de onde veio o tal vizinho. Eu acho um horror música alta em lugar não apropriado! E seja a música q for, ninguém é obrigado a ter os mesmos gostos q eu.
    Mas engraçado, qdo passei um tempo em Sampa fiquei chocada em ver como se fuma em locais fechados… vi até em banheiro, elevador, hall… coisa q não lembro de ter presenciado aqui. Mas enfim, gosto não se discute, às vezes se lamenta.
    Como o forró q fui em Sampa, e diga-se, não consegui ficar! Até pq de forró aquilo não tinha nada, mto menos era tocado por nordestino, era um bando de paulista em cima de um palco se “bulindo” e dizendo estar tocando forró(lá eles!).
    Para criticar é fundamental conhecer antes. A pessoa pode até não gostar do estilo musical, mas falar mal de Luiz Gonzaga, por exemplo, é de uma limitação q dá dó.
    Qto à raiva… só faz mal a quem sente, dá câncer. ;)

  23. shade Says:

    UHauhauha.. concordo plenamente !

    E o engraçado é que sou Sorocabana.. mas moro aqui em Salvador a muuuito tempo. Me sinto completamente baiana.. (tá, uns 98%..)
    E morro de ódio quando vejo alguém da terrinha falando mal dos baianos.

  24. Max Says:

    Porra Bahia, qualé ? Tu ta de sacanagem que ainda tem essa mania de reclamar.
    Vai fazer ousadia rapaz !

  25. di Says:

    sem comentário

  26. Indiana Jones Says:

    O preconceito existe e é tido como algo normal…é muito sério. Moro no Rio de Janeiro e muitas vezes ouço comentários depreciativos sobre Bahia. Brincadeiras que na verdade são ofensivas….Algum dia desse vou mandar alguém tomar naquele lugar.

    Em pensar que os baianos são incrivelmente hospitaleiros com essa raça abjeta.

  27. bahiano Says:

    bahiano nao nasce, estréia, bando de invejosos, salvador meu amor bahia

  28. carina Says:

    Gente! E esse Paulo é Hitler? Ui! Que meda!

  29. Daniel Says:

    BAHIA, O LUGAR IDEAL

    (O colunista em crise não consegue voltar das férias)

    por ARNALDO JABOR

    Não consigo ir embora da Bahia.

    Acabaram minhas férias e continuo aqui.

    Mesmo que eu viaje depois do Carnaval, levarei a Bahia comigo.

    Não se trata de louvá-la; quero entendê-la, não com a cabeça, mas com o corpo, com as mãos, com o nariz, entender como um cego apalpa um objeto, entender por que este lugar é tão fortemente estruturado em sua aparente dispersão.

    Aí, descubro que, ao contrário, a Bahia me ajuda a “me” entender. Não sou eu quem olha; a Bahia que me olha de fora, inteira, sólida, secular, a paisagem me olha e fica patente minha alienação de carioca-paulista, fica evidente meu isolamento diante da vida, eu, essa estranha coisa aflita que está sempre entre um instante e outro, sem nunca ser calmo, inconsciente e feliz como um animal.

    Na Bahia, vejo-me neurótico, obsessivo, sempre em dúvida, ansioso.

    Gostaria de estar na praia de Buraquinho, quieto, dentro do mar, como um peixe, como parte da geografia e não fora dela.

    Ninguém aqui se observa vivendo. Salvador não é uma “cidade partida” como é o Rio, nem a cidade que expele seus escravos, como São Paulo, que um dia será castigada, estrangulada por sua periferia.

    Aqui, de alguma forma misteriosa, os pobres e negros, mesmo sem posses, são donos da cidade.

    A cultura africana que chegou nos navios negreiros, entre fezes e sangue, parece ter encontrado a região “ideal” neste promontório boiando sobre o mar, batido de um vento geral, para fundar uma cidade erótica e religiosa, plantada nos cinco sentidos, fluindo do corpo e da terra.

    Os casarios subiram os montes, desceram em vales por necessidades dos colonos e dos escravos do passado, o espaço urbano foi desenhado pelo desejo dos homens.

    A Bahia foi o lugar perfeito para a África chegar.

    Tudo se sincretiza, natureza e cultura.

    Espírito e matéria se unem como um bloco só, amores e vinganças fluem no sangue dos galos e dos bodes, esperanças queimam nas velas de sete dias, todas as coisas se amontoam num grande procedimento barroco de não deixar vazio algum, nada que sobre, que fique de fora, nada que isole matéria e gente.

    Os deuses não estão no Olimpo; são terrenos e florestas, estão na rua, no dendê, dentro da planta.

    Consciência e realidade não se dividem, o povo e o mundo são a mesma coisa, e isso aplaca as neuroses, as alienações das megacidades onde o homem é um pobre diabo perdido no meio dos viadutos.

    Como nas fotos do Mário Cravo Neto, tudo se une em um só bloco: o alvo pato e a mão negra, a mulher nua e a pedra, o nadador, o sol e a água, as frutas, os cestos e as bocas, as plantas e os pés, os búzios e os segredos, os santos e os orixás, as mãos e o tambor, a fome e a carne, o sexo e a comida.

    Tenho uma espécie de inveja e saudade desta cultura integrada, dessa sociedade secreta que vejo nos olhares das pessoas falando entre si, uma língua muda que não entendo, tenho inveja da palpabilidade de suas vidas materiais, tenho inveja da grande tribo popular que adivinho nos becos e ladeiras, das pessoas que riem e dançam
    nas beiras de calçada, que se amam na beira do mar, tenho inveja desta cultura calma que vive no “presente”, coisa que não temos mais nas “cidades partidas”, sem passado e com um futuro que não cessa de não chegar.

    Nesta época maníaca e americana, que se esvai sem repouso, aqui há o ritmo do prazer, a “sábia preguiça solar” de que falou Oswald e que Caymmi professa.

    A civilização que os escravos trouxeram criou esta “grande suavidade”, este mistério sem transcendência, este cotidiano sem ansiedade, esta alegria sem meta, esta felicidade sem pressa. Aqui a cultura vem antes da lei.

    Aqui o soldado na guarita é um negro com passado e orixás, dentro da roupa de soldado.

    O bombeiro, o vendedor, o pescador, o vagabundo se comunicam e existem antes das roupagens da sociedade.

    Até se travestem, se fantasiam deles mesmos nos horrendo resorts caretas da burguesia, mas não perdem a alma para o diabo, defendidos pela vigilância de seus Exus.

    A sinistra modernidade tenta adquirir a Bahia, possuí-la, apropriar-se das praias, das ilhas, dos panoramas.

    Mas mesmo o progresso urbano e tecnológico aqui fica domado de certo modo pela cultura, que resiste a esses embates.

    Os balneários turísticos aqui me parecem meio patéticos, meio Miami na vivência luxuosa dos acarajés, camarões e
    uísques trazidos por serviçais iaôs e mordomos de cabeça feita.

    Aqui não se veem os rostos torturados dos miseráveis do Rio e São Paulo: a pobreza tem uma religião terrena costurando tudo.

    As festas do ano inteiro não são diversionistas, orgiásticas, para “divertir” – são para integrar. As festas têm uma
    religiosidade pagã, sem sacrifícios, sem asceses torturadas de olhos virados para o céu.

    Nada sobrou do barroco europeu sofrido; prosperou o barroco gordo, pansexual, com as frutas, os anjinhos nus, os refolhos e os européis invadindo o convulsivo barroco da contra-reforma, com as curvas carnavalescas nas igrejas cheias de cariátides peitudas, sexies, gostosas, como as mulatas do Pelourinho.

    Não é uma sociedade, mas um grande ritual em funcionamento.

    O Brasil aflito, injusto, imundo, inóspito devia aspirar a ser Bahia. Aqui dá para esquecer o jogo sujo do Congresso em
    Brasília, revelando a face oculta dos bandidos com imunidade, emporcalhando a democracia, aqui você não morre afogado na enchente da marginal do Tietê, nem o Ronaldinho é assaltado com revólver na cabeça.

    Não conheço lugar mais naturalmente democrático.

    E, por isso, não consigo ir embora.

    Vou comprar uma camiseta “NO STRESS” e ficar
    bebendo um frappé de coco para sempre.

    Arnaldo Jabor – Porto da Barra – Salvador / BAHIA

  30. Andreia Says:

    Poderia até tecer um comentário simpático, mas como acho que um erro faz pensar mais do que mil formas de preconceito “velado”, e isso sim, pra mim é o fim, prefiro continuar pensando, ao contrário de alguns que não conhecem as raízes da própria história,como “vivenciam” o que expuseram pelo menos 2 pessoas que aí opinaram de forma bem antagonica.
    Tirando isso aí, sou paulistaNA, descendente de nordestino e tudo o mais de mistura possíveis, sou Brasileira, e quem acha que é privilegiado por ter nascido, nessa ou naquela região do próprio país, tem é que sair dele e ser muuuito maltratado em outro país!
    AP

  31. Jão Says:

    Não acho que qualquer forma de preconceito seja justificado.
    No entanto, tenho que admitir que em um estado onde Dilma Roussef tem mais de 70% de votos em uma eleição presidencial, passa muito longe da margem de inteligência que eu esperava de um estado que nasceu junto com o Brasil.
    OH, então você está dizendo que quem votou na Dilma é burro ? SIM, estou. E posso descrever cada um dos FATOS que me levam a afirmar isso.
    Então o Brasil é o país dos Burros? SIM é. E ao que parece na bahia a burrice é um pouco mais acentuada sim. O Rio de Janeiro num tá longe disso também não. (60% pra Dilma PUTZ) Cariocada BURRA.
    Estou sendo grosseiro, é fato, e um pouco injusto também com a minoria Brasileira que não compactuou com essa lambança eleitoral, mas não consigo ser justo com um povo que permite que façam o que quiser com ele e as coisas não só ficam por isso mesmo, como também se bate palma pras vergonhas absurdas que acontecem por aqui.
    To indignado sim com essa palhaçada de eleiçãom. E se você que vai ler esse comentário se dignar a responder, por favor, não venha com discurso de defesa ou de ataque contra meu pensamento sem ter fatos e argumentos reais ao seu lado, porque do contrário, você só vai deixar ainda mais claro o que acabei de dizer.
    Enfim. Brasileiro é tudo BURRO! inclusive quem vos escreve esse texto. Afinal, se não tenho inteligência suficiente pra melhorar esse país é porque sou farinha do mesmo saco

  32. SONIA Says:

    ODEIO ESSA MANIA DA PAULISTANO SE ACHAR?
    SE ACHAR O Q?
    ELETISTA?
    LINDOS?
    EDUCADOS?
    VÁ PASSAR 1 TEMPORADA NO NE E VEJA O QUE É BOM SER BEM RECEBIDO.
    SEM TODA ESSA FRESCURA EXISTENCIAL DAQUI…

  33. GESIEL Says:

    BAIANO QUANDO VAI A SÃO PAULO É DISCRIMINADO…
    ENQUANTO PAULISTA QUANDO VEM NA BAHIA É RECIBIDO COM HOSPITALIDADE…
    ESSE É O DIFERENCIAL DA MINHA BAHIA!
    NACI EM BRASILIA MAIS ME CRIEI AQUI NESSA TERRA,AGRADEÇO MUITO A DEUS POR ISSO…
    TE AMO BAHIA!

  34. Jess Says:

    Tenho nojo deste tipo de comentário.nasci em SP mas sou neta de baiano, filha de baiana, mulher de uma baiana. Aqui corre sangue com pimenta, dendê e muito orgulho.

  35. Gilmar Says:

    Sou paulista e amo São Paulo! Não troco nada e nem lugar nenhum pela minha SP. A ira do paulista é que vem muitos Baianos, Cearenses, Nordestinos e Pernambucanos para Sp e tiram as oportunidades do paulistano de trabalhar. As ruas viraram um lixo. Albergues lotados, pessoas dormindo nas calçadas e favelas!
    Se você não gosta de paulista volta para sua terra.
    Estou de saco cheio do povo que vem para SP ganhar a vida e fala mal de paulista isto é pre-conceito.
    Nem vou citar mais nada pois vou ser agressivo.
    Continuem votando na Dilma felas.
    Sem mais!!!

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