TÁXI!

Entrei, coloquei o cinto e dei o destino. O taxista saiu correndo feito um louco, pista vazia, molhada e a chuva castigando. Eu me segurei no ‘puta que o pariu’ e tinha dobrado as pernas para o caso de uma colisão não ficar preso nas ferragens.

Aí eu fui inventar de falar pra ele:

– Meu amigo, eu não estou com pressa. O senhor poderia ir mais devagar?

Ele respondeu:
– Tá com medo, é?

Neste momento, ele acelerou ainda mais o carro e começou a andar em zig-zag e soltou aquela risada diabólica.

– TÁXI!!

Entrei, coloquei o cinto e dei o destino. Mas como um autêntico taxista, ele começou a falar:

– Você faz o que?
– Eu sou publicitário.
– Huuummmm… Tá cheio da grana, hein? Quanto você ganha?
– Ganho razoável.
– Quanto é isso?
– O suficiente.
– Se você não disser, eu paro o carro agora!
– Meu amigo, eu não ganho o que mereço e não vou dizer.

O cara freou bruscamente e me fez sair do carro. Ele abriu minha porta e disse:

– Saia do carro! Saia!

Eu, sem acreditar, sai do carro e gritei:

– TÁXI!!

Entrei, coloquei o cinto e dei o destino. Acho que o motorista pensou que eu era ladrão e falou:
– Já fui assaltado dezenove vezes e agora eu só ando armado, olhe minha arma!

Ele me tira um ‘três-oitão’, cano longo que só de olhar eu tremi.

– Já derrubei dois e deixei um ‘alejado’! Eu uso ele desde o dia que levei um tiro na nuca, a bala atravessou e quebrou todos os meus dentes da frente. Tá vendo aqui?

Ele tirou a dentadura e mostrou:
– Pode pegar! Acabei de escovar!

Fiquei com mais nojo ainda e ele finalizou:
– O médico me falou que foi um milagre, que se a bala fosse mais um pentelho pro lado eu tava morto ou ‘alejado’.

– TÁXI!!

Entrei, coloquei o cinto e dei o destino. Estava sem dinheiro e falei:
– Meu amigo, quando o taxímetro marcar dez reais, pode parar, por favor.

Eu não tinha mais nada no bolso. Era meia-noite e andaria o resto do percurso. Dez reais no taxímetro e o taxista disse que me levaria até em casa. Quando chegamos, falei que pegaria o número dele e pagava depois. Ele negou e falou:

– Se as pedras se encontram, quem dirá os homens…

Matheus Tapioca

carinha_farinha

Ilustração: Michel Neuhaus
Toda segunda uma nova crônica. Acompanhe.

Matheus Tapioca

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11 Respostas to “TÁXI!”

  1. Ricardo Jevoux Says:

    É, fica cada vez mais difícil por os pés pra fora de casa. Pelo menos se vc quiser voltar pra casa, fica bem difícil.

    Abração!

  2. carina Says:

    hahahahaha muito bom! Jura que isso aconteceu com vc ou é produto da sua imaginação fértil?
    Adoro pegar táxi no Rio, os taxistas de lá são super conversados, atualizados e sempre têm uma opinião formada sobre qualquer assunto.

  3. Andréa Says:

    hahahahahahaha Adorei, Teu! Todo taxi que peguei em SP era dirigido por um baiano. Conversava horrores com os caras.

  4. Marco Franzolim Says:

    Demais!
    Como Publicitário também, trabalhador das madrugadas, já passei por muitas histórias bizarras com taxistas. Mas as suas são as melhores.

    Muito bom.

  5. Gilberto Namura Says:

    Só faltou a categoria do taxista com complexo de Brad Pit. Aquele para quem além da corrida em dobro, mulheres maravihosas ainda pagam o motel, o uísque 12 anos e têm a generosidade de perguntar se na próxima podem trazer uma amiga. Aí você pensa: vou trocar essas mdrugadas na agência pelas madrugadas na praça. Desce do carro com inclinação a comprar um taxi.

  6. Fabio Serrano Says:

    “Se as pedras se encontram, quem dirá os homens…”

    Conheço essa frase. :)

    Massa, como sempre, bro.

    Abço.

  7. Mary Matos Says:

    Eu passei por uma experiência interessante em Nova York. peguei um táxi na 46 e queria ir para o Village, queria ir ao Centuri 21, o motorista era albino, com os cabelos armados brancos, barba e bigode enormes até ai normal, estava acompanhada de duas senhoras que havia conhecido no hotel e elas me pediram pra ir junto, pois bem quando fechamos a porta do carro ele arrancou com tudo, andava feito louco cortando todos num zig zague que éramos jogadas pra todo lado do táxi, as velhinhas apavoradas, sem contar que ele dirigia e conversava com agente olhando pra tráz! no bando dele ele tinha várias frutas que ia oferecendo enquanto fazia aquelas barbaridades! me senti naqueles filmes em que os protagonistas saem feitos loucos em peceguição nas ruas de NY foi muito legal! chegando ao nosso destino em aproximadamente 10 minutos quem conhece sabe do trânsito e tempo de demora rsrs quando olhei pras velhinhas elas estavam com os cabelos em pé! não sabia se eu ria delas ou da situação foi uma aventura! ainda quero voltar lá e encontrar este motorista sensacional!!
    beijos!

  8. Quel Says:

    Muito bom! Tem cada história…. to precisando pegar mais taxi!!

  9. mari Says:

    espero que o lançamento do seu livro seja em salvador pr’eu pedir um autógrafo.

  10. di Says:

    ahhhh quantas voltas este senhor já n deu?

  11. Mali Says:

    Menino… Essa estória é verdadeira!?
    Que agonia! Que aflição! Que cómico! Que diversão!
    Hehehe! Rimazinha mais vagabunda!!!
    Um beijo

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