A PRIMEIRA NOITE

Uma festinha gay na minha primeira balada em São Paulo. Eu pensei: Colé, rapaz. Sublime! Graças a Deus estava de calça jeans…

Todos se cumprimentavam com beijinhos meigos na boca. Eram oito homens, seis lésbicas, uma mulher pra lá de 60 anos, que àquela altura já devia ter esquecido de que sexo era; e eu, o único hetero, que, com certeza, também era tido como um “morde fronha”.

Pelo menos eu era o menos afetado. Ops! Afetada. Não deixava ninguém se aproximar pra querer me dar beijinho. Quando vinham, estendia a mão prontamente.

Elas, afetadíssimas, tinham ótimos papos, altas gargalhadas e davam risada com a pontinha dos dedos escondendo a boca. Cheias de “ah!”, “maravilhosa!”, “arrasou!”. E eu: “porra!”, “de foder!”, “Tem acompanhado o campeonato brasileiro de futebol?”.

Mas, lá pras tantas, o vinho começou a fazer efeito em todos e eu apertei ainda mais o cinto da minha calça.

Descobri que as lésbicas eram mais machos do que eu, então comecei a dar uns tapas numas pessoas pra mostrar rispidez no tratar. Não sei se foi por isso, mas as pessoas começaram a ir embora.

Ficamos eu, a sexagenária e mais três bofes. De repente, a velha lasca um beijo de língua na boca de um deles. Eu pensei: “Gente! Aparta que é briga!”.

Após o beijo, ela (a mulher, não a bicha) deu um show: “Eu ainda vou ter um filho seu! Se você um dia engravidar outra mulher, eu te mato!”. E ele: “Rarará… Tá difícil eu virar casaca com essa idade. Rarará”. E eu, um pobre baiano, querendo ser “muderno” na capital.

Como se não bastasse, um dos bambys tava tão bêbado que começou a se jogar em cima de mim. Eu levantei, educadamente, fui ao toalete e quando voltei, sentei em outro lugar (difícil eu, hein?).

Mas, ao me despedir, dei uma colher de chá (foi uma colher de chá!): abracei, com o quadril e o peito afastados, nas meninas e fui embora correndo com minha calça jeans imaculada e minha heterossexualidade incorrigível.

Matheus Tapioca

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Ilustração: Michel Neuhaus
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Matheus Tapioca

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15 Respostas to “A PRIMEIRA NOITE”

  1. carina Says:

    ai tapis, já se acostumou agora, né? ôxi…

  2. di Says:

    um estranho na gaiola das loka

  3. larissa Says:

    hahhahah
    ontem no Farol ouvi um poema que dizia:
    “vai ter que cair na pêia, esses zomi de calça lascada com brinquinho nas zurêia”
    suahsuauhsuauhs

  4. Raphaël Ghünnter Says:

    A maneira como você se referiu aos gays nesse texto é bem dispensável, sabe. Quase ofensiva, de tão “gozadora”.

  5. Andréa Says:

    hahahaha – É, lendo essas coisas vejo que falta muito para ser moderna.

  6. tudopelaciencia Says:

    Se peermiita!rsrsrs
    Parabéns pelo blog! Bjos

  7. Kamila Says:

    é, é assim que tem que ser. Forte. e duro. opa, duro não, hehe.
    volteeeeeeeeeeeeeeeeeei Matheus! sua leitora assidua – que deixou de ser assidua – voltou. Aposto que já até esqueceu de meus comentários por aqui… haha, muitos beijos!

  8. Mali Says:

    Ahahahahaha!
    Que situaçõa, heim?! Fiquei imaginando a cena!!!

    Um beijo enorme

  9. Raphaël Ghünnter Says:

    É que quando os termos são usados pelas pessoas a quem eles se referem, não é ofensivo, mas quando isso vem de alguém de fora, soa diferente. Mas entendi aonde você queria chegar. =)

    • Matheus Tapioca Says:

      Rafael,

      Que bom que entendeu. Longe de mim parecer ofensivo. Quando escrevi esse texto, preferi usar os termos e apelidos falados durante a festa, para retratar a realidade do momento. E eu nem sabia que essas expressoes eram tambem utilizadas pelos gays, sempre pensei que eram termos pejorativos do universo hetero. E achei o maximo nao ser pejorativo entre os gays.

  10. Leila Says:

    kkkkkkkkkkk adorei!! Me dou mto bem c gays e lésbicas, tenho inúmeros amigos inclusive e ando demais c eles… mas são realmente engraçadas algumas situações que heteros simpatizantes passam no meio gay por falha na comunicação rsrs
    Bjão

  11. Naiara Says:

    Opa..me lembro da primeira vez que vi dois homens, meus amigos, se beijando!Achei o máximo e me senti super moderna por não me sentir constrangida e sem preconceitos, mas quando uma lésbica veio para meu
    lado eu vi que era a mesma baiana caipira de sempre…”heterossexualidade incorrigível”…graças a Deus!!

  12. andreia Says:

    AHAHAHAHAHAHAHAHA, meu, nunca se chega a uma “baladeinha” dessas por acaso!!!!
    “Único” hetero heim…k delícia de situação, adorei a sua inssistência em manter a calça jeans bem ajustada ao corpo, k medo é esse??…Menino vc não correu risco algum, gays são pra lá d civilizados(estão on top).
    AP

  13. @onildofilho Says:

    Já pensou em escrever o roteiro de uma série ou filme baseado nas suas histórias?

  14. @VivíLìmmà Says:

    Eu imagino vc contando isso com o delicioso sotaque baiano que eu amo…
    Rolei de rir aqui.
    Agora, a idéia do filme foi legal heimmm…
    Serei a primeirona na fila do cine, rs

    Bjusss

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