Posts Tagged ‘trabalho’

CIGANO BAIANO

março 10, 2013

Depois de ser “baiano” em São Paulo.
Depois de ser “paraíba” no Rio.
Depois de fazer “baianada” no trânsito de BH.

Depois de viver para trabalhar em São Paulo.
Depois de trabalhar para viver no Rio.
Depois de um freela em BH.

Depois de driblar a marra das cariocas.
Depois de conhecer as mulheres loucas de BH.
Depois de sentir frio com as paulistas.

Depois de ser bem atendido em São Paulo, mas sem simpatia.
Depois de ser mal atendido no Rio, com antipatia.
Depois de uma prosa em BH, com simpatia.

Depois do carioca me convidar, mas nunca dar o endereço.
Depois do mineiro sempre me convidar e me levar ao endereço.
Depois do paulista não me convidar.

Depois de ouvir o carioca falar do que não sabe.
Depois de ouvir o paulista achando que sabe de tudo.
Depois de ouvir o silêncio dos mineiros.

Depois de descobrir que carioca tem o melhor dia.
Depois de descobrir que paulistano, a melhor noite.
Depois de descobrir que Minas tem o melhor sítio.

Depois de ouvir o carioca falar alto.
Depois de ouvir o paulista falar “meu”.
E mineiro falar “véi!”.

Depois de saber que Canjica em São Paulo é Mugunzá no Nordeste.
Comer salsichão em Festa Junina no Rio e canjiquinha em Minas.

Depois de ficar duas horas de relógio num caminho de dez minutos por causa do trânsito em SP.
Depois de ter carro e ir para o sítio na terça à noite e trabalhar na quarta de manhã em Minas.
Depois de vender meu carro e ser sócio da BikeRio.

Depois de ter comido nos melhores restaurantes em São Paulo,
os piores no Rio e as deliciosas comidas do sertão da Bahia(sim, Bahia não é só Azeite de Dendê) em Minas.

Depois de engordar quinze quilos em São Paulo e Minas
E perder todos os quinze quilos no Rio.

Depois de ter ido às melhores baladas em SP.
Depois de ter vivido na Lapa no Rio.
Depois de ter as festas da vida no sítio em Rio Acima-MG.

Depois de não acreditar na marra dos cariocas,
a frieza dos paulista e a desconfiança dos mineiros.

Depois de amar São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Depois de regar amigos maravilhosos em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas.

Depois de conquistar mulheres de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas.

Depois de escolher irmãos de coração em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas.

Depois de ter família em São Paulo e Minas.

Sorria, há menos um “baiano” para sua simpatia.
Sorria, há menos um “paraíba” na sua ciclovia.
Sorria, há menos uma nordestino fazendo “baianada” na sua via.

Depois de treze anos, estou voltando para Salvador, sorrindo, amando a família, a Bahia, os irmãos de coração e, principalmente, as mulheres baianas.

Sorria, venha ser feliz na Bahia.

carinha_farinha
Por Matheus Tapioca

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MANDINGA

julho 11, 2011


Até meus vinte e cinco anos de idade, eu achava que meu círculo de amizade se restringia a pouco menos de quinze pessoas: a Mandinga. Uma turma de amigos de infância.

Esse círculo é extremamente fechado. Muito difícil de entrar, porém muito fácil de sair. Alguns negaram, outros voltaram, alguns ficaram. Para se ter uma idéia, é proibido entrar mulher.

Mas como fui de mala e cuia para São Paulo, onde não conhecia ninguém, precisava conhecer uma pessoa por dia. E saber dela o que essa nova amizade poderia me dar para eu evoluir como uma pessoa que só conhecia a Mandinga.

Foi aumentando meu círculo de amizade que conheci pessoas sem as quais seria impossível, hoje, viver. E foi por causa delas que descobri que não há nada pior do que se fechar no seu próprio quadrado. Nem a música presta.

Se eu não tivesse aberto a rodinha, feito Sarajane, talvez não teria conhecido Brunos, Camilos, Carlos, Carolinas, Henriques, Jorges, Lucianos, Marianas, Matthias, Michels, Pedros, Rafaels, Theophilos e todos os amores que vivi, aumentando a cada dia o meu quadrado.

Tenho amigos na Mandinga há mais de vinte e sete anos, que serão meus amigos para sempre. Porém, não mais importantes do que todos os outros que conquistei só porque achei mais inteligente espalhar meus braços em abraços.
Matheus Tapioca

carinha_farinha
Ilustração: Michel Neuhaus
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MÃO NO FOGO

abril 25, 2011

Eu não ponho a mão no fogo por ninguém. Isso não quer dizer que não sou de confiança, nem que não confio em ninguém. Confio, mas nunca como antes.

Antes fui ingênuo o suficiente para acreditar em todas as pessoas e em tudo que elas diziam. Hoje sou mineiro o suficiente para desconfiar de todas.

Para mim, é muito difícil confiar em alguma pessoa. Já tive namorada que me trocou por um amigo, e descobri que, às vezes, até o amor nos passa a perna.

Conheço o mercado de trabalho selvagem dos puxadores de tapete. Já me vi sem chão. E já fui apunhalado algumas vezes pelas costas.

Duro é não contar com ninguém. Se internar sozinho num hospital e ouvir de todas as enfermeiras: “O senhor não tem acompanhante?”.

Não, não vou chorar. Só não coloco a mão no fogo por ninguém. Nem por mim mesmo.
Matheus Tapioca

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Ilustração: Michel Neuhaus
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É PROIBIDO TER VIDA PESSOAL

março 14, 2011

A ordem é trabalhar. Você trabalha pouco e vive muito. Está na hora de parar de viver. Quer moleza? Senta no pudim. Engole o choro. Onde já se viu chorar no trabalho?

Vai, anda, baiano folgado. Está com saudade da mamãe? Trabalha que passa. Tem uma fila enorme na porta querendo seu lugar.

Não está conseguindo trabalhar? Pede mesada pro papai. É isso ou não é nada. Não está feliz? Vai embora.

É perda de tempo fazer curso de línguas ou um esporte para ficar em forma. Primeiro porque você não vai ter tempo de ir, segundo porque seu jantar vai ser pizza com coca pet.

Lembre-se da minha entrevista de emprego: perguntei se você morava só ou dividia apartamento, se tinha filho, se cursava uma universidade. Tem que ser bom e barato.

Quebrou o pé? Pega táxi. Não tem prazo? Vira a noite. Separou? Sorte sua. Cada um tem o que merece.

Que porra de trabalho é esse? Não tem medo de perder o emprego? Isso que dá contratar nordestino. Volta pra pátria que te pariu, filhote de cruz credo.

Nem seguro desemprego você merece. Vou te demitir por justa causa. Está no contrato. Quem mandou ter vida pessoal?
Matheus Tapioca

carinha_farinha
Ilustração: Michel Neuhaus
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NOVES FORA, ZERO.

maio 31, 2010

Não tenho medo de trabalho. Tenho medo da falta de trabalho. Mas passar oito horas, no mínimo, dentro de uma empresa é de lascar.

Nem venham me dizer “você precisa fazer aquilo que sente prazer”, porque nem sexo eu quero bater ponto 40 horas semanais.

Faça as contas: 8h de trabalho + 8h de sono + 2h de almoço + 2h de trânsito + 2h com o filho que já está quase dormindo = 22h. UAU! Sobram incríveis duas horas para você viver e fazer o que quiser.

Eu quero a segunda revolução industrial. Quero ver meu filho crescer, ouvir ele falar papai pela primeira vez. Quero ver meus amigos, a lua cheia e a maré vazia.

Quero nadar, tocar um instrumento, fazer um curso de história da arte, estudar psicologia, aprender uma nova língua, tomar um banho de mar em plena terça-feira.

Não precisamos conviver oito horas com pessoas que mal conhecemos. Aposto que se tivéssemos quatro horas por dia de trabalho, renderíamos muito mais.

Mas driblamos as oito horas com cafezinhos, cigarrinhos e reuniões inúteis. E quem não fuma e não toma café? Rói unha. Gastrite, ânsia, azia, taquicardia, tontura, desmaios, choros compulsivos e mais 50 minutos de análise.

Até que um belo dia, chega a tão sonhada aposentadoria. Noves fora, zero: você não tem saúde para fazer mais porra nenhuma.

carinha_farinha

Ilustração: Michel Neuhaus
Toda segunda uma nova crônica.

Matheus Tapioca

FESTA DA FIRMA

dezembro 28, 2009

Pessoas que você passa mais de quarenta horas na semana e, na realidade, mal conhece, na mesma balada, é no mínimo estranho. Mas é divertido. Eu gosto. Principalmente pelas surpresas que só festa da empresa revela.

As mulheres lindíssimas, animadíssimas, produzidíssimas dançando, puro êxtase. Confesso que essa é a melhor parte. Porque não há nada mais bonito do que ver uma mulher dançando.

Conhecer os chefes bebinhos e na bebida, meu amigo, todos são iguais. Ainda mais na fase em que a pessoa ama todo mundo, rasga seda, daria até um aumento pra você naquele momento. Mas só naquele momento.

Amantes sempre aparecem em festa da firma. Perdoe-me pela indiscrição, mas sempre acontece. Há festas que nem é permitida a entrada dos cônjuges. Mas abafa o caso.

Casais que se formam, mas sem dar muita bandeira, pois não sabem como será a reação do reencontro no escritório no outro dia e, ainda por cima, sóbrios.

Casais que abalam as estruturas do evento. Fazem bem em cortar a bebida quando começa a esquentar. Pois todo mundo sabe que onde se ganha o pão, não se come a carne. Mas pão com carne é uma delícia.

Amizades também se formam. E de quem você menos espera, escuta a frase: “Você escreve o que as mulheres gostam de ouvir”. Não é o máximo? Claro que li como um elogio.

Amigos se aproximam, namoros se rompem, dançarinos se revelam, muitos se libertam, alguns dão PT, todos observam, nem todos dançam, selinhos escondidos, piscadas safadas, pessoas não aparecem no outro dia, amnésia alcoólica. Festa da firma é sempre festa da firma.

Matheus Tapioca

carinha_farinha

Farinha de Mandioca volta 3.0 em 2013

Matheus Tapioca

ATÉ O FIM DOS DIAS

outubro 13, 2009

Michel_Neuhaus_fim dos tempos
Despertador on-line às 7h50min. Trânsito on-line às 8h30min. Ponto às 9h. Start up às 9h10min. Cliente ligou e precisa de alteração até às 11h, está aos gritos do outro lado da linha, estamos on-line e continuaremos on-line até o fim do dia.

Precisa colocar um texto de agradecimento, até logo e muito obrigado. A água acabou, troca o botijão. O ar quebrou, abre a janela. Hífen errado na página 347 no site e a cliente aos prantos. 10h31min, Bruno grita. 10h32min. Manda pro ar, manda pro ar…. 11h, site on-line.

Cadê o projeto? Corre, a imagem tá no Photoshop, o texto no Word. Mas tá no Mac. Vai assim “mermo”. Mais café. Compila, compila no Flash. Deu pau. Abre de novo. Carlos, faz alguma coisa. “Tem um revólver aí?”.

12h12min, trânsito on-line. 12h30min, almoço on-line. 13h30, digestão on-line. Continuamos on-line e ficaremos até o final do dia. Luz off-line, sobe escada. Gerador on-line. O banner tá lento. Altera, altera. Pega o Pop up. Tammy terminou o hotsite. Revisa Matheus.

Hoje dá nove horas, mas não dá sete. Eduardo jogou a bola na parede e derrubou água no teclado. Pega toalha, papel, corre, pega, pega. Editora reprovou site da revista. Tem que estar no ar amanhã de manhã. Pede pizza e coca-cola pet.

23h, continuamos on-line. Deu pau no servidor. O servidor não serve pra nada. “Escaneia” a foto. Trabalho virtual, cansaço real. Nunca mais eu saio da agência.

Tinha filme, queimou. Tinha barzinho, fechou. Tinha boate, dançou. Renata tá esperando em casa às três da manhã. Ainda estamos on-line e continuaremos on-line até o fim do dia.

Quatro horas, cai na cama. Olhos off-line, dores on-line. Luz off-line, cabeça on-line. Cama on-line, sono off-line. Abre a geladeira, toma uma cerveja. Relaxamento on-line, sono on-line, despertador on-line.

Acorda off-line, trânsito on-line. Chega no trabalho off-line, clientes on-line. Dá o boot em Matheus… Restart em Matheus. Estamos on-line e continuaremos on-line até o fim dos dias.

carinha_farinha
Ilustração: Michel Neuhaus


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