Posts Tagged ‘praia’

MEIO GAY

setembro 8, 2016

Todos os meus amigos sempre me acharam meio gay, inclusive eu. E hoje, pela primeira vez, um amigo me perguntou:

– Qual parte você é gay? A de cima ou a de baixo?
– A de cima!
– E a de baixo?
– Homofóbico!

Respondi de bate pronto e percebi que nunca tinha pensado nisso. E achei genial. Ser gay na parte de cima é:

– Chorar em final de comédia-romântica;
– Adorar os amigos gays;
– Achar filme europeu melhor que americano;
– Amar Caetano, Gil, Gal e Bethânia;
– Chorar com música de Chico;
– Sua amiga achar você sapatão;
– Achar Freddie Mercury o máximo;
– Ficar enjoado em barco;
– Somatizar os problemas;
– Ser carinhoso com amigos homens;
– Ser mais româtico do que mulher.

Ser homofóbico na parte de baixo é:

– Não aceitar fio terra;
– Não colocar a pontinha dos pés pra ver se piscina está fria;
– Só ter saídas, nunca entradas;
– Pensar com a cabeça de baixo;
– Chutar canela no futebol da galera;
– Não cortar as unhas dos pés;
– Não tomar sol de costas em cadeira de praia;
– Nunca subir escada com a ponta dos pés;
– Dormir de valete, quando divide o colchão com outro homem;
– Não ficar nu na frente de gay;
– Nunca ficar parado com os pés em posição de balé;
– Não dobrar as pernas como mulher;
– Dar bicuda em dividida de bola na pequena área;
– Ter tesão em mulher acima de todas as coisas.

Pois eu sou assim. Metade macho, metade gay.
Matheus Tapioca

carinha_farinha
Ilustração: Michel Neuhaus

FILTRO SOLAR

julho 22, 2013

Não estou falando da Proteção UV A, UV B, nem fator 15 ou 30. Mas sim do meu filtro solar que mede se estou vivendo, ou apenas passando a vida dentro de um escritório, em frente a um computador, com arcondicionado, com persianas brancas (quando há janelas), feito um ratinho de laboratório: a minha marca de sunga.

Este é meu protetor solar, que me protege contra o estresse, a vida corrida, a rotina, o dia-a-dia. É ela quem deixa claro se estou em dia com meu elemento complementar: o mar.

Em São Paulo passei dez anos sem marca de sunga. Isso era preocupante. Ainda mais para uma cidade que não possui horizonte, aquela linha firme e imóvel que fica entre o fim do mar e o início do céu.

Hoje tenho minha própria linha do horizonte e ela está cada vez mais clara em mim. Foi ela que me fez morar no Rio e voltar para Salvador. Não é preciso sofrer para ganhar o salário que ganhava, não é preciso passar tantas horas no trânsito para trabalhar na capital financeira do país.

Prefiro ficar preso no trânsito com vista para o mar. Ganhar o suficiente para tomar meu picolé Capelinha na praia. Jantar um acarajé de Cira. Ou ver o pôr do sol no mar. Isso não tem preço, não tem salário. E a vida segue bem assim, sem pressa, sem correr contra o tempo. É como disse Leonardo da Vinci: “A simplicidade é a máxima sofisticação”.

carinha_farinha
Por Matheus Tapioca


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