Posts Tagged ‘hetero’

MEIO GAY

setembro 8, 2016

Todos os meus amigos sempre me acharam meio gay, inclusive eu. E hoje, pela primeira vez, um amigo me perguntou:

– Qual parte você é gay? A de cima ou a de baixo?
– A de cima!
– E a de baixo?
– Homofóbico!

Respondi de bate pronto e percebi que nunca tinha pensado nisso. E achei genial. Ser gay na parte de cima é:

– Chorar em final de comédia-romântica;
– Adorar os amigos gays;
– Achar filme europeu melhor que americano;
– Amar Caetano, Gil, Gal e Bethânia;
– Chorar com música de Chico;
– Sua amiga achar você sapatão;
– Achar Freddie Mercury o máximo;
– Ficar enjoado em barco;
– Somatizar os problemas;
– Ser carinhoso com amigos homens;
– Ser mais româtico do que mulher.

Ser homofóbico na parte de baixo é:

– Não aceitar fio terra;
– Não colocar a pontinha dos pés pra ver se piscina está fria;
– Só ter saídas, nunca entradas;
– Pensar com a cabeça de baixo;
– Chutar canela no futebol da galera;
– Não cortar as unhas dos pés;
– Não tomar sol de costas em cadeira de praia;
– Nunca subir escada com a ponta dos pés;
– Dormir de valete, quando divide o colchão com outro homem;
– Não ficar nu na frente de gay;
– Nunca ficar parado com os pés em posição de balé;
– Não dobrar as pernas como mulher;
– Dar bicuda em dividida de bola na pequena área;
– Ter tesão em mulher acima de todas as coisas.

Pois eu sou assim. Metade macho, metade gay.
Matheus Tapioca

carinha_farinha
Ilustração: Michel Neuhaus

HOMOAFETIVO HETEROSSEXUAL

maio 9, 2011

“Eu não tenho regras”. Esta foi a frase que ela disse para me despistar. Todo mundo precisa de regras. Seja para o álcool, o matrimômio, ou apenas uma noite qualquer.

Gostei dela justamente por dizer isso. Ela foi sincera, talvez como nunca antes. Beijar mulher, homem,  gay não quer dizer nada. Mas ela quis dizer que não tem regras.

Todo mundo tem suas regras. Eu já beijei na boca meus melhores amigos homens (não de língua, é claro). Beijei porque, para mim, a regra é clara: sou um homoafetivo heterossexual.

Gosto de quem quebra as regras. Porque a vida é assim, um presente embrulhado. Só dá pra saber o que é, abrindo.
Matheus Tapioca

carinha_farinhaIlustração: Michel Neuhaus
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A PRIMEIRA NOITE

março 1, 2010

Uma festinha gay na minha primeira balada em São Paulo. Eu pensei: Colé, rapaz. Sublime! Graças a Deus estava de calça jeans…

Todos se cumprimentavam com beijinhos meigos na boca. Eram oito homens, seis lésbicas, uma mulher pra lá de 60 anos, que àquela altura já devia ter esquecido de que sexo era; e eu, o único hetero, que, com certeza, também era tido como um “morde fronha”.

Pelo menos eu era o menos afetado. Ops! Afetada. Não deixava ninguém se aproximar pra querer me dar beijinho. Quando vinham, estendia a mão prontamente.

Elas, afetadíssimas, tinham ótimos papos, altas gargalhadas e davam risada com a pontinha dos dedos escondendo a boca. Cheias de “ah!”, “maravilhosa!”, “arrasou!”. E eu: “porra!”, “de foder!”, “Tem acompanhado o campeonato brasileiro de futebol?”.

Mas, lá pras tantas, o vinho começou a fazer efeito em todos e eu apertei ainda mais o cinto da minha calça.

Descobri que as lésbicas eram mais machos do que eu, então comecei a dar uns tapas numas pessoas pra mostrar rispidez no tratar. Não sei se foi por isso, mas as pessoas começaram a ir embora.

Ficamos eu, a sexagenária e mais três bofes. De repente, a velha lasca um beijo de língua na boca de um deles. Eu pensei: “Gente! Aparta que é briga!”.

Após o beijo, ela (a mulher, não a bicha) deu um show: “Eu ainda vou ter um filho seu! Se você um dia engravidar outra mulher, eu te mato!”. E ele: “Rarará… Tá difícil eu virar casaca com essa idade. Rarará”. E eu, um pobre baiano, querendo ser “muderno” na capital.

Como se não bastasse, um dos bambys tava tão bêbado que começou a se jogar em cima de mim. Eu levantei, educadamente, fui ao toalete e quando voltei, sentei em outro lugar (difícil eu, hein?).

Mas, ao me despedir, dei uma colher de chá (foi uma colher de chá!): abracei, com o quadril e o peito afastados, nas meninas e fui embora correndo com minha calça jeans imaculada e minha heterossexualidade incorrigível.

Matheus Tapioca

carinha_farinha
Ilustração: Michel Neuhaus
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Matheus Tapioca


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