Posts Tagged ‘gay’

MEIO GAY

setembro 8, 2016

Todos os meus amigos sempre me acharam meio gay, inclusive eu. E hoje, pela primeira vez, um amigo me perguntou:

– Qual parte você é gay? A de cima ou a de baixo?
– A de cima!
– E a de baixo?
– Homofóbico!

Respondi de bate pronto e percebi que nunca tinha pensado nisso. E achei genial. Ser gay na parte de cima é:

– Chorar em final de comédia-romântica;
– Adorar os amigos gays;
– Achar filme europeu melhor que americano;
– Amar Caetano, Gil, Gal e Bethânia;
– Chorar com música de Chico;
– Sua amiga achar você sapatão;
– Achar Freddie Mercury o máximo;
– Ficar enjoado em barco;
– Somatizar os problemas;
– Ser carinhoso com amigos homens;
– Ser mais româtico do que mulher.

Ser homofóbico na parte de baixo é:

– Não aceitar fio terra;
– Não colocar a pontinha dos pés pra ver se piscina está fria;
– Só ter saídas, nunca entradas;
– Pensar com a cabeça de baixo;
– Chutar canela no futebol da galera;
– Não cortar as unhas dos pés;
– Não tomar sol de costas em cadeira de praia;
– Nunca subir escada com a ponta dos pés;
– Dormir de valete, quando divide o colchão com outro homem;
– Não ficar nu na frente de gay;
– Nunca ficar parado com os pés em posição de balé;
– Não dobrar as pernas como mulher;
– Dar bicuda em dividida de bola na pequena área;
– Ter tesão em mulher acima de todas as coisas.

Pois eu sou assim. Metade macho, metade gay.
Matheus Tapioca

carinha_farinha
Ilustração: Michel Neuhaus

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RÓTULOS

abril 18, 2016

Você é de humanas ou exatas? Coxinha ou petralha? Gay ou goy? Você é nota nove? Como você se rotula?

A gente sempre quer rotular as pessoas e os sentimentos. Ficamos na luta interminável de querer dar nome a tudo, ser racional o suficiente para entender o que é cada coisa. Sem pensar que, muitas vezes, o importante é apenas sentir.

Sentir aquele poema que você não entendeu, a música que envolveu sem saber o porquê, o abraço que comoveu sem elucidar, o filme de Fellini que você não desvendou mas se emocionou, nem tudo na vida vem mastigadinho.

Numa prova de vestibular havia uma letra de Chico Buarque para testar a capacidade de interpretação de texto dos candidatos. Sabendo disso, Chico decidiu responder às questões. Quando foi olhar o gabarito de dez perguntas, ele acertou apenas cinco. Como rotular os sentimentos dentro de cada verso?

Pergunte para aquela pessoa especial: “Por que você me ama?” Se ela tiver uma explicação, não é amor. Amor não se rotula. Rótulos reduzem o entendimento e o sentimento.

carinha_farinhaMatheus Tapioca

CIGANO BAIANO

março 10, 2013

Depois de ser “baiano” em São Paulo.
Depois de ser “paraíba” no Rio.
Depois de fazer “baianada” no trânsito de BH.

Depois de viver para trabalhar em São Paulo.
Depois de trabalhar para viver no Rio.
Depois de um freela em BH.

Depois de driblar a marra das cariocas.
Depois de conhecer as mulheres loucas de BH.
Depois de sentir frio com as paulistas.

Depois de ser bem atendido em São Paulo, mas sem simpatia.
Depois de ser mal atendido no Rio, com antipatia.
Depois de uma prosa em BH, com simpatia.

Depois do carioca me convidar, mas nunca dar o endereço.
Depois do mineiro sempre me convidar e me levar ao endereço.
Depois do paulista não me convidar.

Depois de ouvir o carioca falar do que não sabe.
Depois de ouvir o paulista achando que sabe de tudo.
Depois de ouvir o silêncio dos mineiros.

Depois de descobrir que carioca tem o melhor dia.
Depois de descobrir que paulistano, a melhor noite.
Depois de descobrir que Minas tem o melhor sítio.

Depois de ouvir o carioca falar alto.
Depois de ouvir o paulista falar “meu”.
E mineiro falar “véi!”.

Depois de saber que Canjica em São Paulo é Mugunzá no Nordeste.
Comer salsichão em Festa Junina no Rio e canjiquinha em Minas.

Depois de ficar duas horas de relógio num caminho de dez minutos por causa do trânsito em SP.
Depois de ter carro e ir para o sítio na terça à noite e trabalhar na quarta de manhã em Minas.
Depois de vender meu carro e ser sócio da BikeRio.

Depois de ter comido nos melhores restaurantes em São Paulo,
os piores no Rio e as deliciosas comidas do sertão da Bahia(sim, Bahia não é só Azeite de Dendê) em Minas.

Depois de engordar quinze quilos em São Paulo e Minas
E perder todos os quinze quilos no Rio.

Depois de ter ido às melhores baladas em SP.
Depois de ter vivido na Lapa no Rio.
Depois de ter as festas da vida no sítio em Rio Acima-MG.

Depois de não acreditar na marra dos cariocas,
a frieza dos paulista e a desconfiança dos mineiros.

Depois de amar São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Depois de regar amigos maravilhosos em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas.

Depois de conquistar mulheres de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas.

Depois de escolher irmãos de coração em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas.

Depois de ter família em São Paulo e Minas.

Sorria, há menos um “baiano” para sua simpatia.
Sorria, há menos um “paraíba” na sua ciclovia.
Sorria, há menos uma nordestino fazendo “baianada” na sua via.

Depois de treze anos, estou voltando para Salvador, sorrindo, amando a família, a Bahia, os irmãos de coração e, principalmente, as mulheres baianas.

Sorria, venha ser feliz na Bahia.

carinha_farinha
Por Matheus Tapioca

HOMOAFETIVO HETEROSSEXUAL

maio 9, 2011

“Eu não tenho regras”. Esta foi a frase que ela disse para me despistar. Todo mundo precisa de regras. Seja para o álcool, o matrimômio, ou apenas uma noite qualquer.

Gostei dela justamente por dizer isso. Ela foi sincera, talvez como nunca antes. Beijar mulher, homem,  gay não quer dizer nada. Mas ela quis dizer que não tem regras.

Todo mundo tem suas regras. Eu já beijei na boca meus melhores amigos homens (não de língua, é claro). Beijei porque, para mim, a regra é clara: sou um homoafetivo heterossexual.

Gosto de quem quebra as regras. Porque a vida é assim, um presente embrulhado. Só dá pra saber o que é, abrindo.
Matheus Tapioca

carinha_farinhaIlustração: Michel Neuhaus
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A PRIMEIRA NOITE

março 1, 2010

Uma festinha gay na minha primeira balada em São Paulo. Eu pensei: Colé, rapaz. Sublime! Graças a Deus estava de calça jeans…

Todos se cumprimentavam com beijinhos meigos na boca. Eram oito homens, seis lésbicas, uma mulher pra lá de 60 anos, que àquela altura já devia ter esquecido de que sexo era; e eu, o único hetero, que, com certeza, também era tido como um “morde fronha”.

Pelo menos eu era o menos afetado. Ops! Afetada. Não deixava ninguém se aproximar pra querer me dar beijinho. Quando vinham, estendia a mão prontamente.

Elas, afetadíssimas, tinham ótimos papos, altas gargalhadas e davam risada com a pontinha dos dedos escondendo a boca. Cheias de “ah!”, “maravilhosa!”, “arrasou!”. E eu: “porra!”, “de foder!”, “Tem acompanhado o campeonato brasileiro de futebol?”.

Mas, lá pras tantas, o vinho começou a fazer efeito em todos e eu apertei ainda mais o cinto da minha calça.

Descobri que as lésbicas eram mais machos do que eu, então comecei a dar uns tapas numas pessoas pra mostrar rispidez no tratar. Não sei se foi por isso, mas as pessoas começaram a ir embora.

Ficamos eu, a sexagenária e mais três bofes. De repente, a velha lasca um beijo de língua na boca de um deles. Eu pensei: “Gente! Aparta que é briga!”.

Após o beijo, ela (a mulher, não a bicha) deu um show: “Eu ainda vou ter um filho seu! Se você um dia engravidar outra mulher, eu te mato!”. E ele: “Rarará… Tá difícil eu virar casaca com essa idade. Rarará”. E eu, um pobre baiano, querendo ser “muderno” na capital.

Como se não bastasse, um dos bambys tava tão bêbado que começou a se jogar em cima de mim. Eu levantei, educadamente, fui ao toalete e quando voltei, sentei em outro lugar (difícil eu, hein?).

Mas, ao me despedir, dei uma colher de chá (foi uma colher de chá!): abracei, com o quadril e o peito afastados, nas meninas e fui embora correndo com minha calça jeans imaculada e minha heterossexualidade incorrigível.

Matheus Tapioca

carinha_farinha
Ilustração: Michel Neuhaus
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Matheus Tapioca

SERÁ QUE ELE É?

setembro 28, 2009

Michel_Neuhaus_sera

Acredito que todo pai vive com o fantasma do filho ser gay. O meu, no dia em que nasci, em meio à ditadura, gritou bêbado: “Prefiro ter um filho ‘viado’ do que militar!”. Talvez, por isso, achou que eu era gay quando fui dividir apartamento com um amigo e vim morar em São Paulo.

Quem já dividiu um apartamento com um homem sabe: todo mundo pensa que você e seu amigo são gays. Em Salvador, minha pobre mãe pediu para o zelador interfonar:
– Por favor, o senhor poderia chamar Matheus?
– Matheus? Aquele que mora com outro?
– É… Esse mesmo!

Coisa é fazer compras de supermercado juntos. Os dois andando pelos corredores, empurrando o carrinho e sendo observados pelas donas de casa com seus maridos. Viramos a atração do hortifruti enquanto escolhemos os legumes e as verduras.

Os técnicos da TV a cabo foram instalar o aparelho. Passado algum tempo, meu colega sai do quarto dele, não o meu, nem o nosso, o dele. Os técnicos entreolharam-se até que eu perguntei:
– Já instalou o Sexyhot? (canal de filme pornô, heterossexual)

E quando a sua vizinha é uma mulher que ficou pra titia, cuida da mãe e participa da quermesse da Igreja, pergunta:
– Vocês compraram o apartamento?

Homem é assim mesmo. Nunca saímos da puberdade. Quando masculinidade se mede pela quantidade de álcool que se bebe e de mulher que se pega. Precisamos nos autoafirmar o tempo inteiro. Principalmente quando questionam nossa sexualidade.

Também sou assim, mas não posso negar que tenho um lado feminino bem acentuado. Nunca fui muito bom de bebida, nem de pegar muita mulher. Adoro meus muitos amigos gays, choro em final de novela, sou romântico e fã da música “Super Homem – A Canção” de Gil. Mas não, meu pai. Eu não sou gay.

carinha_farinha
Matheus Tapioca

Matheus Tapioca

O DIA SEGUINTE

abril 16, 2009

 

Recebi o seguinte SMS de uma amiga: “P q dpois d 1 noite d sexo selvagem o homem não volta a ligar pra mulher? Agora me responda! PQ? PQ?”.

Querida amiga, ele não ligar no dia seguinte, não significa que ele nunca mais vai ligar. Às vezes até liga, mas é difícil. Há os que mandam flores, tomam café junto e os que deixam bilhetinho no travesseiro. Mas a grande maioria não liga.

Não serei ingênuo de relatar tudo sobre o universo masculino. Sou leal e fiel aos nossos princípios. Mas vou dar uma canja só para alentar o coração de minha triste amiga:

1) Você disse que foi uma noite selvagem, mas não havia bichos na cama não, né?

2) Ele vai ligar, mais dia, menos dia, ele vai ligar. Mas não ligue! Se ele estiver envolvido com outra mulher, for casado, noivo, comprometido talvez ele não ligue. O que será bom pra você que não quer ser a outra. Mas se quiser, ligue.

3) Pode ser medo de ser devorado feito canibal numa tribo indígena. Medo de conhecer um grande amor ou uma enorme desilusão.

4) Toda vez que o telefone toca você acha que é ele, mas não é: o cara pode ser um babaca que está, neste momento, ligando para todos os amigos dizendo que transou com você. E que você nem era tão gostosa assim.

5) Você fez tudo, ou quase tudo, e ele não ligou: ele sabe que se ligar, você vai achá-lo grudento, um porre. Mas como ele deve querer repetir a noite, não vai ligar no dia seguinte. Só para deixar você assim, nessa angústia, nessa insegurança, louca por ele.

6) Ele não achou a noite fantástica.

7) Ele não tá a fim de ligar.

8) Ele é gay.

Os homens são assim mesmo. E até defendo que sejam. O cara deu um duro retado, literalmente inclusive, para fisgar você. Aposto que você não é uma mulher fácil. Sua beleza é de afastar os covardes e desafiar os corajosos. Foi preciso se dar ao máximo naquela noite, para ser inesquecível.

Agora você quer que ele te ligue? Tá pedindo demais, não? Cadê aquela força que fez você resistir horas antes de consumar o ato? É por isso que eles não ligam no dia seguinte. Para deixar você louquinha por ele, mesmo que ele nunca mais ligue. E se isso acontecer, foi para tornar aquela noite perfeita e deixá-la para sempre como uma lembrança gostosa da sua vida. E acredito que não só na sua.Matheus Tapioca

 

carinha_farinha

Toda segunda uma nova crônica. Acompanhe.

Matheus Tapioca

 


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