Posts Tagged ‘baianada’

SER BAIANO É

agosto 3, 2016

É chamar de “Rei”, “Nego”, “Pai”, “Preto”, “Negão”, “Galego”, “Viado”, seu querido amigo.

É chamar de “Preta”, “Pretinha”, “Minha linda”, “Linda”, “Nega”, “Morena” (branca ou preta), “Discarada”, uma mulher que você ama.

Tem toda uma malemolência no falar tocando, feito um carinho. Como diria o recifense: “a diferença entre o baiano e o pernambucano é que os baianos são meio afrescalhados, né?”. Ahahahahah…
Adoro!

carinha_farinhaMatheus Tapioca

 

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VOCÊ FALA COMO EU FALO?

fevereiro 22, 2010

Sem dúvida, o maior problema enfrentado por um baiano fora da Bahia é o seu jeito de falar. Quando a pessoa consegue entender o que a gente fala, somos mal interpretados.

Sempre acham que estamos sendo curtos e grossos. Mas não somos grosseiros, não estamos zangados, nem bravos com ninguém. Isso é apenas o jeito de falar.

Baiano não fala “Não sei”, diz “Sei lá!”. Chama de “Rapaz” e “Velho” qualquer pessoa, seja homem ou mulher. E apelida de “Sacana” o seu melhor amigo.

Baiano diz “Eu te amo” na primeira noite, e é verdade. Fala no diminutivo qualquer palavrinha. Para o baiano, loira, gaza, sarará, negra todas são “Morena”.  E não há palavra que mais faça parte do vocabulário baiano do que “porra“.

O problema é tão sério que o dicionário de baianês já é quase um best-seller. E baiano falando inglês? Você acha que eles largam o sotaque? Para conseguir entender um baiano em português já é difícil. Mas nada é mais incompreensível do que um mecânico de carro explicando o problema no motor.

O tão criticado atendimento baiano é só pelo jeito de falar. Baiano é sincero, objetivo. Sua turma viaja e pede quinze pizzas de uma vez, num restaurante de quintal em Morro de São Paulo, o dono da pizzaria fala: “Não. Nunca fiz quinze pizzas. Só faço dez.”.

Que mal há nisso? Foi só o jeito de falar. Se ele falasse “Desculpe, mas vendi tanta pizza hoje que a massa acabou. Só posso fazer dez.”, você iria reclamar?

A vendedora de sorvete tenta atender o turista:
– Eu queria um sorvete de limão.
– Não tem.
– De umbu?
– Não tenho.
– De acerola?
– O senhor já gosta de um azedinho, né não?

Viu só? A pobre da mulher foi vista como mal criada. Só pelo jeito de falar. Quando baiano acha algo estranho do colega, pergunta “Você é viado, é?”. Sendo o colega gay ou não.

Baiano tem mania de pegar nos outros enquanto fala. Isso não quer dizer que a pessoa está paquerando, ou é uma pessoa pegajosa . É só um jeito carinhoso de falar. E por causa disso, já ouvi muito “NÃO ME TOQUE!”, como se eu tivesse Ébola.

Desde que sai da Bahia, deixei de tocar nas pessoas, de olhar no olho, de falar “sei lá” e “Velho”, mas nunca vou deixar de chamar você de “Minha linda”.

Matheus Tapioca

carinha_farinha

Toda segunda uma nova crônica. Acompanhe.

Matheus Tapioca

BAIANADA

agosto 24, 2009

Michel_Neuhaus_BaianadaEu me incomodo e não aceito quando usam, pejorativamente, a expressão “Baiano” em São Paulo, “Paraiba” no Rio de Janeiro e de fazer uma “baianada”no trânsito de Belo Horizonte. Não adianta justificar. Para mim, é melhor nem tentar, porque só vai piorar a situação.

Quando as pessoas falam na minha presença, faço questão de recriminar. Acho uma tremenda falta de respeito. No Nordeste, carioca, paulista e mineiro são substantivos, não são adjetivos, mesmo merecendo ser. Já escutei de tudo como tentativa de amenizar:

– É inconsciente coletivo!
– Ou seria “preconceito coletivo”?

– Não é por mal, não.
– Por bem é que não é!

– Nada pessoal.
– Pra mim é pessoal, sim.

– A minha empregada é baiana. Ela não liga.
– Eu ligo.

– Já virou linguagem popular.
– É melhor ficar calada.

Mas a pior demonstração de preconceito que um amigo presenciou em São Paulo foi quando um pedreiro caiu de uma obra em frente ao escritório onde trabalhava e uma pessoa ao seu lado brincou:
– Um baiano a mais ou a menos não faz diferença.

carinha_farinha

Ilustração: Michel Neuhaus
Texto: Matheus Tapioca

Matheus Tapioca

Ação que pode gerar o “CowParade” de O Boticário nas lojas.

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