Posts Tagged ‘Amor’

ESPORTE RADICAL

agosto 1, 2016

Michel_Neuhaus_esporte_radical

Meu esporte radical sempre foi amar. Desbravando matas, escalando corpos, caindo de cabeça sem pára-quedas, pulando de bungee jump sem corda.

Já levitei sem usar balão, voei sem asa delta, enfrentei gelo sem prancha e já caí do alto, muito alto.

Cicatrizes não me faltam: das dores de cotovelo, no peito, fígado e mutilações, só não me doem os arranhões.

Viciado em adrenalina, descendo cachoeiras de endorfina, remando em corredeiras de serotonina.

Meu coração entregue como troféu, sem pódio de chegada, nem medalha dedicada.

Não há vencedores, nem competidores. Apenas amadores, em busca do empate.

Cada partida, uma esperança. Cada cansaço, um colo. E em cada chegada, um êxtase.Matheus Tapioca

carinha_farinha
Ilustração: Michel Neuhaus
Texto: Matheus Tapioca

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BORBOLETAS NO ESTÔMAGO

maio 16, 2016

As minhas saíram pelos “quatro buracos da minha cabeça”, meus poros e meus braços. Como é bom sentir esse friozinho na barriga, voltar a ter quinze anos de idade e se arrumar para o primeiro encontro.

As borboletas saem em forma de olhares, perfumes inebriantes, suores, abraços, pernas bambas e beijos na boca. O Efeito Borboleta faz tudo mudar ao redor, capaz de formar um verdadeiro tufão dentro da gente.

Elas saem voando com as qualidades no mode on: deixar ela falar sem parar, fazer ela dar risada, escolher os temas mais interessantes e algumas merdas, ser romântico, abrir a porta do carro, pagar a conta, enfim, como é bom voltar a ser adolescente, mas com CNH.

Mas algumas continuam presas com os defeitos no mode off: nada de palavrões, mostrar nervosismo, suor na mão, encolher a barriga, desligar o celular, comer e beber pouco, fingir segurança e autoconfiança, sem ciúmes e estresse. No primeiro encontro, todas as borboletas são multicoloridas.

Se não for assim, elas voltam para o estômago prontas para baterem suas asas novamente. Mas se tudo der certo, basta abrir as gaiolas do coração.

carinha_farinha
Matheus Tapioca

HOMÍCIDIO DOLOSO

maio 5, 2016

Ela o matou em seu coração por legítima defesa.

carinha_farinhaMatheus Tapioca

RÓTULOS

abril 18, 2016

Você é de humanas ou exatas? Coxinha ou petralha? Gay ou goy? Você é nota nove? Como você se rotula?

A gente sempre quer rotular as pessoas e os sentimentos. Ficamos na luta interminável de querer dar nome a tudo, ser racional o suficiente para entender o que é cada coisa. Sem pensar que, muitas vezes, o importante é apenas sentir.

Sentir aquele poema que você não entendeu, a música que envolveu sem saber o porquê, o abraço que comoveu sem elucidar, o filme de Fellini que você não desvendou mas se emocionou, nem tudo na vida vem mastigadinho.

Numa prova de vestibular havia uma letra de Chico Buarque para testar a capacidade de interpretação de texto dos candidatos. Sabendo disso, Chico decidiu responder às questões. Quando foi olhar o gabarito de dez perguntas, ele acertou apenas cinco. Como rotular os sentimentos dentro de cada verso?

Pergunte para aquela pessoa especial: “Por que você me ama?” Se ela tiver uma explicação, não é amor. Amor não se rotula. Rótulos reduzem o entendimento e o sentimento.

carinha_farinhaMatheus Tapioca

RETICÊNCIAS

abril 8, 2013

amor leve tranquIlo sem ponto fInal ponto parágrafo vIrgula ponto e vIrgula sem colocar os pIngos nos Is muIto menos aspas porque o amor é público e orIgInal apenas na prImeIra vez quero falar do amor suave sereno sem pavor cIúme ou dor o amor que nos faz andar sem os pés no chão não quero falar do sentImento com começo meIo e fIm apenas começo sem hIato paroxItonas oxItonas e proparoxItonas sem regras nem gramátIca sem pretérIto perfeIto amor sem Interrogações nem exclamações amor sem fIm aquele que quando quando a gente sente não tem dúvida se é amor nos deIxa sem palavras: que fala a mesma lIngua que não tem explIcação dIscernImento mas está tudo nas entrelInhas sua paz sua felIcIdade sem onomatopéIas com cacofonIas sem alfabeto ninguém sabe ler nem escrever apenas sentIr o vazIo sendo preenchIdo amor sem alInhamento à esquerda dIreIta ou justIfIcado amor sem escola amor que não se ensIna amor em estado bruto amor que escreve cartas de amor ridículas amor eterno sem rasuras e sem retIcêncIas para simplesmente fluir


carinha_farinha
Por Matheus Tapioca

CIGANO BAIANO

março 10, 2013

Depois de ser “baiano” em São Paulo.
Depois de ser “paraíba” no Rio.
Depois de fazer “baianada” no trânsito de BH.

Depois de viver para trabalhar em São Paulo.
Depois de trabalhar para viver no Rio.
Depois de um freela em BH.

Depois de driblar a marra das cariocas.
Depois de conhecer as mulheres loucas de BH.
Depois de sentir frio com as paulistas.

Depois de ser bem atendido em São Paulo, mas sem simpatia.
Depois de ser mal atendido no Rio, com antipatia.
Depois de uma prosa em BH, com simpatia.

Depois do carioca me convidar, mas nunca dar o endereço.
Depois do mineiro sempre me convidar e me levar ao endereço.
Depois do paulista não me convidar.

Depois de ouvir o carioca falar do que não sabe.
Depois de ouvir o paulista achando que sabe de tudo.
Depois de ouvir o silêncio dos mineiros.

Depois de descobrir que carioca tem o melhor dia.
Depois de descobrir que paulistano, a melhor noite.
Depois de descobrir que Minas tem o melhor sítio.

Depois de ouvir o carioca falar alto.
Depois de ouvir o paulista falar “meu”.
E mineiro falar “véi!”.

Depois de saber que Canjica em São Paulo é Mugunzá no Nordeste.
Comer salsichão em Festa Junina no Rio e canjiquinha em Minas.

Depois de ficar duas horas de relógio num caminho de dez minutos por causa do trânsito em SP.
Depois de ter carro e ir para o sítio na terça à noite e trabalhar na quarta de manhã em Minas.
Depois de vender meu carro e ser sócio da BikeRio.

Depois de ter comido nos melhores restaurantes em São Paulo,
os piores no Rio e as deliciosas comidas do sertão da Bahia(sim, Bahia não é só Azeite de Dendê) em Minas.

Depois de engordar quinze quilos em São Paulo e Minas
E perder todos os quinze quilos no Rio.

Depois de ter ido às melhores baladas em SP.
Depois de ter vivido na Lapa no Rio.
Depois de ter as festas da vida no sítio em Rio Acima-MG.

Depois de não acreditar na marra dos cariocas,
a frieza dos paulista e a desconfiança dos mineiros.

Depois de amar São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Depois de regar amigos maravilhosos em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas.

Depois de conquistar mulheres de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas.

Depois de escolher irmãos de coração em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas.

Depois de ter família em São Paulo e Minas.

Sorria, há menos um “baiano” para sua simpatia.
Sorria, há menos um “paraíba” na sua ciclovia.
Sorria, há menos uma nordestino fazendo “baianada” na sua via.

Depois de treze anos, estou voltando para Salvador, sorrindo, amando a família, a Bahia, os irmãos de coração e, principalmente, as mulheres baianas.

Sorria, venha ser feliz na Bahia.

carinha_farinha
Por Matheus Tapioca

HOSTIL

junho 27, 2011

Um senhor de sessenta e oito anos resolveu contribuir ainda mais com o mundo, com o aquecimento global, com o trânsito, com sua própria saúde e passou a ir trabalhar de bicicleta. Morreu atropelado por um ônibus.

Só em 2010 foram 49 ciclistas mortos em São Paulo. Carros, cada vez maiores, buzinam, não dão passagem, não respeitam, atropelam ciclistas com seus blindados.

Na verdade, hostil não é só o trânsito. Todo o mundo é hostil. Você é mal atendido, roubado, explorado, enganado e ainda tem que dar “Bom Dia” no elevador.

Ninguém ouve um “obrigado”, “por favor” e nem pensar em “licença”.  A vida já é difícil por si só. E ainda tem que conviver com gente que só dificulta.

A gente não sabe de quem tem mais medo: da polícia ou do ladrão. A vendedora acha que está fazendo um favor em vender para você. Os honestos pagam pelos desonestos.

O amor só está nos muros. Como uma pichação, um xingamento, um protesto. Um amor marginal.

Matheus Tapioc


Música: Criolo Doido – Não existe amor em SP
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EU TE AMO!

março 28, 2011

Por que é tão difícil para algumas pessoas dizer “Eu te amo”? E como pode ser tão fácil para outras?

Tem gente que diz na primeira noite. Não precisa nem transar. Inclusive, dizem isso justamente para ir para cama. Às vezes, elas acreditam.

Mas muitos conseguem abrir o coração: quando estão transando ou bêbados. Ah! Tem outros que só falam “Também”.

É um problema manifestar seus sentimentos? É coisa de menina? É dar muito mole para ela e todos os seus amigos?

Está com medo da próxima onda? Não entra no mar. É fácil gritar para o motorista da frente “FILHO DA PUTA!”. Você já gritou no trânsito “EU TE AMO!”?

É certo que há diversas formas de falar “Eu te amo!”: cozinhar o prato preferido, pagar a conta no bar, dar um presente, formar um coração com as duas mãos, tatuar o corpo, <3, S2.

Como acho que a gente pode morrer a qualquer momento, eu prefiro falar pessoalmente e falo de diversas formas. Acredito que todos entendem os sinais.

Também não vou sair por aí dizendo isso para qualquer um. Até porque não amo tanta gente assim.

Mas quando acontece, eu falo. Seja para amigo, parente, cachorro, ou uma pessoa especial.

Será que ouvir é mais díficil do que falar? Ná dúvida, resolvi dizer e acabei aprendendo que declarar “Eu te amo” é libertador. Porque não há liberdade maior do que estar preso ao amor.
Matheus Tapioca

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Ilustração: Michel Neuhaus

PAIXÃO

agosto 2, 2010

Arrebatadora. Atinge a tudo e a todos e, definitivamente, não é uma coisa que se escolhe. Ela é quem nos escolhe.

Escolhe do jeito mais sórdido, usando uma das suas piores armas: faz a gente se sentir adolescente novamente. A paixão é a fórmula do rejuvenescimento.

E como adolescente, a gente divide o chiclete com um beijo na boca, transa três vezes sem tirar, não deixa entrar no banheiro depois de fazer o “número 2”, ou seja, somos apenas nossas qualidades.

Não mostramos a intransigência, a chatice, a teimosia, a insegurança, nem o orgulho. Quando estamos apaixonados, somos o melhor de nós mesmos.

É o que faz o coração disparar com o alerta de uma nova mensagem no celular, de um novo e-mail ou apenas uma ligação no dia seguinte.

A paixão joga baixo. Escreve ridículas cartas de amor, grava CDs melancólicos e faz parecer que tudo é possível.

Faz a gente se sentir vivo, interessante, gostoso, poderoso. A paixão é capaz de fazer o que nem Pitanguy consegue: as pazes com o espelho.

A paixão faz você acreditar que tem superpoderes. Você é capaz de levitar, voar e sonhar.

E aí? Qual foi a última vez que você se sentiu assim?
Matheus Tapioca

carinha_farinha
Ilustração: Michel Neuhaus
Toda segunda uma nova crônica. Acompanhe.

Matheus Tapioca

NAMORO OU AMIZADE?

junho 21, 2010

Você acredita em amizade entre homem e mulher? Dizem que só existe até o primeiro beijo. Não estou falando de selinho. Beijo de verdade. Daqueles em que é preciso fechar os olhos para sentir, ao mesmo tempo, todos os outros sentidos.

Eu acredito em amizade entre homem e mulher. Sinceramente, tenho amigas que são samambaias: não como nem na salada. Acho muito importante ter algumas amizades femininas. Nos abrem os olhos para coisas que só mulher entende.

Mas também não sou amigo de mulher como os gays são. Não me chame para o shopping para ver vitrine, nem assistir Saia Justa do GNT. Tudo tem limite. Mas é sempre bom beber cerveja e colocar as histórias e interpretações masculinas e femininas na mesa.

Agora tem aquelas em que a mulher só quer amizade e o cara quer namoro. Estes são os piores, porque você nunca sabe se ela falou aquilo dando mole ou não, se aquela frase foi uma bola cheia ou murcha.

Todo homem passa pela fase do “Eu preciso dizer que te amo!”. Não conheço um que nunca passou por isso. Primeiro porque mulher adora ficar amiguinha dos homens, seja para ficar ou não. E isso confunde o sujeito.

Por isso, alguns homens partem para o ataque rápido, sem nem dar tempo de ficar amiguinho da mulher. Regras claras logo no início. Pois você tem certeza que não quer amizade desde a primeira vez que a viu.

Existem amizades que são namoro sem beijo. Os dois se amam e podem se casar no futuro ou viver amigos para sempre. Namoros que viram amizades. E namorados que são amigos.

Não há como negar que a amizade é superior ao amor. Amizade não tem aquele ciúme doentio, você pode furar um programa de vez em quando, passar uma semana, um mês, um ano sem ligar e vai parecer que foi ontem. Além disso, a amizade pode ser colorida.

Eu acredito em amizade entre homem e mulher. Acho normal dois solteiros sairem para jantar, à luz de velas, no Dia dos Namorados. Mas depois do jantar, nunca se sabe.

Matheus Tapioc

carinha_farinha
Ilustração: Michel Neuhaus

Matheus Tapioca


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