HAPPY END


Quando adolescente e problemático, criei, com a ajuda de amigos, o Kit Depressão:
– Um bêbado, sozinho, com a cabeça apoiada numa mesa de bar;
– Uma garrafa vazia e um copo suado com cerveja quente;
– Uma fita cassete tocando Trocando em Miúdos;
– Um cachorro de rua dormindo embaixo da sua cadeira;
– E, para completar, chove.

Com que finalidade uma pessoa em sã consciência, na flor da idade, cria um Kit como esse? Podendo usar toda sua testosterona no sexo e sua saúde pegando onda na praia? Anos de análise…

Chega de cinema europeu, não quero mais ler Clarice, meu iPod não toca mais Coldplay. Eu gosto é de final feliz. E quero-o ainda mais por ter certeza que ele não existe.

A vida já é suficientemente grave para ainda ter que ler, assistir ou ouvir qualquer coisa triste. Já me bastam os jornais.

Para mim, arte tem que entreter, transcender e, finalmente, ter um final feliz. O único que existe.

A gente vive a ditadura do “Ser feliz”: “Você tem que ser feliz”, “Eu quero ser feliz!”, “Eu só quero a sua felicidade!”. Pára!

Final feliz só existe na arte e só nela ele é para sempre.
Matheus Tapioca

carinha_farinha

Toda segunda uma nova crônica. Acompanhe.

Matheus Tapioca

Anúncios

Tags: , , , ,

13 Respostas to “HAPPY END”

  1. MusaNorminha Says:

    Concordo em gênero e grau com você!!
    Beijos!!

  2. carina Says:

    Polêmico esse post, hein? Deixar de ouvir Coldplay, tudo bem. Eu apóio. hehe Mas e a Clarice? Sim. Ela é triste, mas é esse tipo de beleza que me deixa tão feliz ou pelo menos mais ciente da minha condição de ser-humano.

    Concordo demais quando vc fala sobre essa ditadura do “ser feliz”. Odeio isso e sofro, ainda mais quando já existe um ideal pré-estabelecido felicidade. Será que pelo menos 10% da população se encaixa nisso? E se encaixam, será que são realmente felizes?

    Mas voltando a arte, acho que ela pode ser feliz, triste, feia o que for, desde que consiga evocar algo dentro de mim que eu não sabia que existia.

  3. Vitor Furlanetti Says:

    Parabéns! Muito bom o texto!

  4. Leila Says:

    Tudo bem, a gente não pode nem deve viver SEMPRE assim, mas não vou mentir que esse “kit depressão” é a MINHA CARA em alguns momentos!! Só não fico uma “bêbada sozinha”, acabo arrastando um ombro amigo p bar e troco o aparelhinho de som por minha voz mesmo, imagine a tragédia rsrs.
    Para mim, curtir a dor de cotovelo é fundamental p me fazer sair da fossa, entro tanto nela q no outro dia sou outra mulher, quase q literalmente! Coisas d geminiana… ;)

  5. Jurandyr Says:

    E, para completar,

    comentam……

  6. jorge jr. Says:

    eu conheço bem esse seu kit depressão… rs…

  7. Fernando Luz Says:

    Também prefiro finais felizes, não leio mais Clarice e odeio Coldplay. Mas com o cinema europeu ainda tenho umas recaídas.

    Abração!

  8. Naiara Says:

    Basta saber que é feliz para deixar de ser..li certa vez de algum poeta que não me recordo do nome, acredito que temos momentos felizes, mas ninguém pode ser feliz o tempo todo, menos ainda para sempre.Imagina, qual seria a graça da vida?
    Clarice é uma ucraniana arretada!
    Seu dama em descrever a busca pela descoberta dos sentimentos mais complexos é indiscutivelmente maravilhoso!
    se ouvir de alguém:
    – Eu só quero é ser feliz…
    Acho duvidoso
    Acho que ninguém aguentaria viver na prática uma ditadura da felicidade.
    Tedioso demais!

  9. Mali Says:

    O que é felicidade afinal?

    Tristeza, todos nós sabemos…

  10. juliana Says:

    Gosto de filmes que me toquem, independente de serem tristes ou alegres. Lógico que os de final feliz a gente sai mais de bem coma vida.
    Mas confesso que bem gosto tb de um filme dramático com final dolorido! Pelo menos assim eu não fico na falsa expectativa de que na vida real as coisas sempre tenha que ter um happy “the end”!

    ps- evite então “casa de areia e névoa” e “flor do deserto” (mto bons!! rs)

  11. Fernanda Couras Says:

    Oieeeeeeee Farinha…meu twitter foi roubado rsrsrs….mas continuo lendo suas crônicas!!!

  12. Emidia Felipe Says:

    Pra mim, essa sua crônica é um acesso de “pra que perder tempo alimentando a tristeza?”, que é sempre muito bom e nos ajuda a cultivar as ilhas de felicidade no mar da vida. Realmente não creio que você não considere arte o que é triste, já que a tristeza é tão importante e tão parte da vida como a felicidade.

  13. Andre Says:

    Vai dar a bunda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: